ABC | Volume 111, Nº1, Julho 2018

Imagem Avaliação Desafiadora de Regurgitação Aórtica: Mais que Uma Válvula Quadricúspide Challenging Evaluation of Aortic Regurgitation: More Than a Quadricuspid Valve Gonçalo Pestana, Carla Sousa, Teresa Pinho, Sara Maia, M. Júlia Maciel Serviço de Cardiologia, Centro Hospitalar de São João, Porto - Portugal Correspondência: Gonçalo Pestana • Centro Hospitalar de São João - Serviço de Cardiologia Alameda Prof. Hernâni Monteiro, 4200-319 Porto, Portugal E-mail: gnpestana@gmail.com Artigo recebido em 24/10/2017, revisado em 26/02/2018, aceito em 26/02/2018 Palavras-chave Insuficiência da Valva Aórtica; Ecocardiografia Transesofagiana; Ecocardiografia Tridimensional; Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. DOI: 10.5935/abc.20180106 Paciente do sexo feminino de 61 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica, sem outras comorbidades, referenciada para avaliação da Cardiologia por dispneia de esforço em agravamento (classe III da New York Heart Association − NYHA) e dor torácica atípica. O exame físico revelou apenas um sopro diastólico no segundo espaço intercostal no rebordo esternal direito. O ecocardiograma transtorácico mostrou insuficiência aórtica (Figura 1A), com câmaras cardíacas não dilatadas e função biventricular conservada. A janela acústica limitou a avaliação da gravidade da lesão valvular e sua valorização no contexto das queixas, embora o espectro em Doppler contínuo sugerisse regurgitação importante (Figura 1B). A avaliação era ainda dificultada por uma aceleração de fluxo sistólico na Câmara de Saída do Ventrículo Esquerdo (CSVE), sem gradiente significativo, de causa não esclarecida. A raiz aórtica tinha dimensões normais, mas não foi possível uma adequada caracterização morfológica e funcional da válvula. O Ecocardiograma Transesofágico (ETE) revelou válvula aórtica quadricúspide com defeito de coaptação central de 0,35 cm 2 por planimetria tridimensional causando insuficiência aórtica grave (Figuras 1C e 1D). A avaliação tridimensional mostrou também um espessamento praticamente circunferencial na CSVE, correspondendo a uma membrana subaórtica não obstrutiva, condicionando a aceleração de fluxo observada (Figuras 1E e 1F). A terapêutica médica foi otimizada, e a paciente foi orientada para cirurgia de substituição valvular. Este caso destaca o papel incremental do ETE, complementado com imagem tridimensional, na avaliação exaustiva da doença valvular, determinante na correta atuação terapêutica. Esta associação entre quadricuspidia aórtica e membrana subaórtica é um achado raro, descrito em apenas um relato prévio na literatura. 1 Contribuição dos autores Obtenção de dados: Pestana G, Sousa C, Pinho T, Maia S; Análise e interpretação dos dados: Pestana G, Sousa C, Maia S; Redação do manuscrito: Pestana G; Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Pestana G, Sousa C, Pinho T, Maciel MJ. Potencial conflito de interesses Declaro não haver conflito de interesses pertinentes. Fontes de financiamento Opresente estudo não teve fontes de financiamento externas. Vinculação acadêmica Nãohá vinculaçãodesteestudoaprogramas depós-graduação. 115

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