ABC | Volume 111, Nº1, Julho 2018

Artigo Original Oliveira et al Dinâmica não linear em jovens com diabetes tipo 1 Arq Bras Cardiol. 2018; 111(1):94-101 Apesar dos resultados semelhantes, em nosso estudo não foi possível observar diferença estatisticamente significante entre os grupos ao analisarmos os índices LF e HF em unidades normalizadas e na relação LF/HF. Outros métodos de análise da VFC abordado neste estudo foram os não lineares: ES e análise simbólica. Esta foi descrita recentemente por Porta et al., 9 e baseia-se em quantificar as informações carreadas em uma série temporal e, com isso, permite a construção de padrões, denominados símbolos (0V, 1V, 2LV e 2ULV), por meio de cálculos específicos, 9 que indicam o comportamento autonômico. Os valores obtidos com a análise simbólica neste estudo se mostraram significativamente menores no Grupo DM1 em comparação com o Controle para o índice 2ULV, mostrando diminuição parassimpática, porém a magnitude desta diferença foi pequena. Redução parassimpática por meio da análise simbólica também foi observada por outros autores. 10,19 Javorka et al., 19 ao compararem a análise simbólica em jovens com DM1 (21,9 ± 0,9 anos) com jovens saudáveis da mesma faixa etária, observaram redução de 2LV%, que reflete a modulação simpática e parassimpática, com predomínio parassimpático. Resultado semelhante foi observado no estudo de Moura-Tonello et al. 10 que, ao compararem adultos (50,53 ± 6,96 anos) com DM2 com adultos saudáveis, apontaram que, nos diabéticos, houve redução de 2LV% e aumento de 0V%, o que reflete a atividade simpática. Já em relação à ES, utilizada para quantificar a complexidade/regularidade das flutuações da taxa do coração, 8 não foi encontrada diferença estatisticamente significante ao comparar o Grupo DM1 com o grupo saudável. Corroborando nossos resultados, outros autores também apontaram ausência de alteração na complexidade avaliada por meio de ES, tanto em adultos com DM2 10 quanto em jovens com DM1. 19 Estes resultados sugerem que, apesar do desequilíbrio autonômico, identificado por meio dos outros índices da VFC, a complexidade autonômica parece ainda não influenciar nessas populações. Outro ponto abordado neste estudo foi a existência de concordância nas correlações entre os índices lineares e não lineares (análise simbólica). Foi observada concordância moderada nas correlações dos índices RMSSD e HF u.n. com os índices 2ULV e 2LV da análise simbólica, e SDNN com 2ULV, além de elevada concordância na correlação entre os índices LF u.n. e 0V. Estes resultados demonstram que os índices obtidos por meio da análise simbólica apresentam concordâncias moderada e elevada com os índices obtidos nos domínios do tempo e da frequência, indicando que eles também podem ser utilizados na análise do SNA, pois apresentaram resultados semelhantes ao das análises lineares e foram capazes de identificar alterações na modulação autonômica, assim como os índices tradicionais da VFC. Alterações da VFC têm sido apontadas como um forte indicador de risco relacionado a eventos cardiovasculares, tanto em indivíduos saudáveis quanto naqueles com alguma doença já instalada. 22 Esta condição aumenta o risco de morte súbita por arritmias cardíacas e está associada à elevação das taxas de mortalidade por outras causas, 23 indicando que a disfunção autonômica cardíaca em pacientes já em risco, como no DM, pode ser um agente complicador. 24 A redução da VFC é descrita como o primeiro sinal da NAC, 25 a qual a taxa de mortalidade é cinco vezes maior do que em pacientes que não possuem essa complicação, 26 sendo sugerida como um dos testes de diagnóstico em um posicionamento da American Diabetes Association ® (ADA). 26 Algumas limitações devem ser apontadas, como o caráter transversal do estudo, que impossibilitou o acompanhamento dos indivíduos por um tempo maior, não permitindo saber se a influência do DM1 no SNA permaneceria ou pioraria em longo prazo. Ainda, as características antropométricas, como peso e IMC, foram diferentes entre os grupos e maior no grupo com DM1, no entanto, os valores médios estão dentro dos valores normais, ou seja, abaixo dos valores considerados para obesidade e sobrepeso (IMC < 25 kg/m²). 14 Apesar das limitações apontadas, alguns pontos positivos devem ser ressaltados, como a utilização de novos métodos de análise não linear da VFC, como a análise simbólica, que se mostrou capaz de identificar alterações autonômicas no DM1, podendo ser utilizada para avaliação e acompanhamento desta população. Além disso, pudemos observar que a análise simbólica apresentou concordância moderada e elevada com alguns índices avaliados neste estudo, indicando que este método deve ser incluído nas análises da VFC, associado aos tradicionais índices do domínio do tempo e frequência, sendo fundamental no acompanhamento clínico da condição do SNA nessa população. No entanto, considerando o reduzido número de estudos com essa população utilizando métodos como análise simbólica, novas pesquisas devem ser incentivadas, para que mais informações possam ser divulgadas a respeito deste método em outras faixas etárias e populações. Conclusão Os resultados encontrados mostram que o diabetes melito tipo 1 influencia nos índices lineares (domínio do tempo e frequência) e na análise simbólica, mas ainda não influencia na complexidade da variabilidade da frequência cardíaca. A análise simbólica se correlaciona com índices lineares da variabilidade da frequência cardíaca. Contribuição dos autores Concepção e desenho da pesquisa e análise e interpretação dos dados: Oliveira EA, Silva AKF, Christofaro DGD, Vanderlei FM, Vanderlei LCM; Obtenção de dados: Oliveira EA, Silva AKF, Vanzella LM, Gomes RL; Análise estatística:Oliveira EA, Silva AKF, Christofaro DGD, Vanderlei LCM; Obtenção de financiamento: Oliveira EA, Silva AKF, Vanderlei LCM; Redação do manuscrito: Oliveira EA, Silva AKF, Vanzella LM, Gomes RL, Vanderlei FM, Vanderlei LCM; Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Oliveira EA, Silva AKF, Christofaro DGD, Vanzella LM, Gomes RL, Vanderlei FM, Vanderlei LCM. Potencial conflito de interesses Declaro não haver conflito de interesses pertinentes. 100

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