ABC | Volume 111, Nº1, Julho 2018
Artigo Original Oliveira et al Dinâmica não linear em jovens com diabetes tipo 1 Arq Bras Cardiol. 2018; 111(1):94-101 Tendo em vista que o DM1 acomete commaior frequência crianças e jovens, e que tal população está sujeita a diversas complicações, inclusive alterações autonômicas, que podem levar à NAC, estudos desta natureza se fazem necessários, a fim de identificar se a utilização de novos métodos de análise da atividade autonômica são capazes de observar alterações no comportamento do SNA de jovens com DM1 sem NAC, bem como quais alterações podem ocorrer na modulação autonômica desses indivíduos. Informações dessa natureza são importantes, pois, além de acrescentarem elementos à literatura relacionada ao tema exposto, podem determinar se esta forma de análise é capaz de ser uma ferramenta de relevância para identificar e auxiliar na compreensão da influência da DM1 na modulação autonômica. O objetivo do estudo foi comparar índices de VFC obtidos por meio da análise simbólica e ES, entre jovens com DM1 e jovens saudáveis, associados à análise de índices obtidos no domínio do tempo e da frequência, assim como verificar se há correlações entre eles para os jovens com DM1. A hipótese inicial foi a de que a análise simbólica e a ES poderiam identificar alterações autonômicas em portadores de DM1, em comparação a indivíduos saudáveis, assim como os índices tradicionais da VFC, e que existam boas correlações entre tais índices. Métodos Para desenvolver este estudo observacional transversal, foram recrutados, por conveniência, 43 jovens adultos com diagnóstico de DM1 alocados no Grupo DM1 e 45 jovens saudáveis sem DM1 distribuídos no Grupo Controle. Para participarem do estudo, os voluntários do Grupo DM1 deveriam possuir diagnóstico clínico de DM1 confirmado por diagnóstico médico e/ou exame sanguíneo e sem diagnóstico e sinais clínicos de neuropatia autonômica cardíaca . Ambos os grupos deveriam ter ausência de doenças cardiorrespiratórias e não ser tabagista e/ou etilista. Somente séries de intervalos RR com mais de 95% de batimentos sinusais foram incluídas no estudo, ou seja, séries com variações na captação maior que 5% foram deixadas de lado. 12 Para o recrutamento do Grupo DM1, foram contactados médicos endocrinologistas e Unidades Básicas de Saúde e, para o Controle, foram convidados alunos de uma universidade pública. Para a realização do cálculo amostral em função da ausência de estudos com ES ou análise simbólica com DM1, foi utilizado o índice que corresponde à raiz quadrada da média do quadrado das diferenças entre os iRRs normais adjacentes (RMSSD), que é um índice clássico na análise de VFC. Para o índice RMSSD, considerando diferença de 19,85 milissegundos, para um desvio padrão de 25,30 milissegundos, 13 com risco alfa de 5% e beta de 80%, o tamanho amostral resultou em, ao menos, 25 indivíduos para cada grupo, mas, para eventuais erros de leitura do dispositivo, este número foi aumentado em ambos os grupos. Todos os procedimentos utilizados neste estudo seguiram a declaração de Helsinki e foram aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT/UNESP), Campus de Presidente Prudente (CAAE: 22530813.9.0000.5402; parecer 417.031). Os indivíduos assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Inicialmente, os voluntários passaram por uma entrevista para coleta das seguintes informações: idade, sexo, tempo de diagnóstico (para os diabéticos) e uso de medicamentos. Foram mensuradas, ainda, a massa corporal (balança digital Welmy R/I 200, Brasil) e a estatura (estadiômetro Sanny, Brasil), para obtenção do Índice de Massa Corporal (IMC). 14 Posteriormente a estas avaliações, os voluntários foram submetidos ao protocolo experimental, que consistiu na avaliação da modulação autonômica, por meio da monitorização da Frequência Cardíaca (FC) batimento a batimento, utilizando o cardiofrequencímetro Polar S810i (Polar Electro, Finlândia), e do uso da série de intervalos RR obtida para análise da VFC. 15 Para a realização desta etapa, os voluntários foram orientados a manterem-se em silêncio, acordados, em repouso, com respiração espontânea por 30 minutos, em decúbito dorsal para a captação da FC. Todos os voluntários foram instruídos a não consumir substâncias estimulantes do SNA, como café, chá, refrigerante e achocolatados, e a não realizar atividades físicas 24 horas antes da avaliação, para não interferir na modulação autonômica cardíaca. As avaliações foram realizadas individualmente em uma sala com temperatura entre 21°C e 23°C, e umidade entre 40 e 60%, no período da tarde, entre 13 e 18h para minimizar as influências do ritmo circadiano. 16 Após a captação da FC pelo cardiofrequencímetro, foram selecionados mil intervalos RR consecutivos do período de maior estabilidade do sinal e foi realizada filtragem digital com filtro moderado pelo software Polar Precision Performance™ SW (versão 4.01.029) seguida de manual, para eliminação de batimentos ectópicos prematuros e artefatos. Para avaliar o comportamento não linear da VFC, foram utilizadas a análise simbólica e a ES. A avaliação da análise simbólica se baseia em quantificar as informações carreadas em uma série temporal, na transformação dos iRR previamente selecionados emnúmeros inteiros de zero a seis, a partir dos quais são construídos padrões simbólicos (sequência de três símbolos). Todos os possíveis padrões foram agrupados sem perdas em quatro famílias, de acordo com o número e o tipo de variações entre os símbolos subsequentes, 9 a saber: (1) padrões, sem variação (0V), ou seja três símbolos iguais, por exemplo, “4,4,4”; (2) padrões com uma variação (1V), ou seja dois símbolos subsequentes iguais e outro diferente, por exemplo, “4,2,2”; (3) padrões com duas variações similares (2LV) ou seja, os três símbolos formam uma rampa ascendente ou descendente, por exemplo, “1,3,4” ou “5,4,2”; (4) padrões com duas variações diferentes (2ULV), ou seja os três símbolos formam um pico ou um vale, por exemplo, “3,5,3” ou “4,1,2”. O padrão referente à atuação do ramo simpático é representado pela família 0V, e a atuação do ramo parassimpático é representado pelos padrões 2LV e 2ULV. Já a atuação conjunta dos ramos do SNA é presentada pela família 1V. 9 As frequências de ocorrência destas famílias (0V%, 1V%, 2LV% e 2ULV%) foram avaliadas neste estudo. Para calcular estes índices, foi contado o número de vezes 96
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