ABC | Volume 110, Nº1, Janeiro 2018

Artigo Original Pitanga et al Atividade física e escores de risco cardiovascular Arq Bras Cardiol. 2018; 110(1):36-43 Tabela 4 – Efeito dose-resposta na associação entre atividade física no tempo livre e escores de risco cardiovascular em homens: Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), 2008–2010 Atividade física no tempo livre* Escore de Framingham — doença coronariana (colesterol)* Escore de Framingham — doença coronariana (LDL-C)* Escore de Framingham — doença cardiovascular (colesterol)* Escore de Framingham — doença cardiovascular (IMC)# Equações de coorte agrupadas para doença cardiovascular aterosclerótica* Sedentário 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 Pouco ativo 0,86 (0,68–1,08) 1,02 (0,78–1,34) 1,08 (0,87–1,33) 0,99 (0,81–1,20) 1,03 (0,80–1,32) Ativo 0,81 (0,65–0,99) 0,79 (0,61–1,03) 0,91 (0,75–1,10) 0,85 (0,71–1,02) 0,87 (0,68–1,10) Muito ativo 0,43 (0,32–0,58) 0,52 (0,37–0,74) 0,55 (0,43–0,69) 0,47 (0,38–0,59) 0,62 (0,46–0,84) IMC: índice de massa corpórea; LDL-C: lipoproteína de baixa densidade. *Ajustado por idade, obesidade e escolaridade; #ajustado por idade e escolaridade. Tabela 5 – Efeito dose-resposta na associação entre atividade física no tempo livre e escores de risco cardiovascular em mulheres: Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), 2008–2010 Atividade física no tempo livre* Escore de Framingham — doença coronariana (colesterol) Escore de Framingham — doença coronariana (LDL-C) Escore de Framingham— doença cardiovascular (colesterol) Escore de Framingham — doença cardiovascular (IMC) Equações de coorte agrupadas para doença cardiovascular aterosclerótica Sedentário 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 Pouco ativo 1,20 (0,76–1,91) 1,04 (0,69–1,56) 1,07 (0,80–1,43) 0,92 (0,71–1,19) 1,17 (0,80–1,72) Ativo 0,71 (0,43–1,16) 0,61 (0,40–0,94) 0,70 (0,52–0,93) 0,88 (0,64–1,03) 1,01 (0,72–1,44) Muito ativo 0,63 (0,29–1,37) 0,64 (0,34–1,20) 0,52 (0,32–0,83) 0,67 (0,46–0,95) 0,66 (0,37–1,23) IMC: índice de massa corpórea; LDL-C: lipoproteína de baixa densidade. *Ajustado por idade e escolaridade. e diabetes, bem como com mortalidade cardiovascular em indivíduos com diabetes tipo 2. Importante ressaltar que essas associações, no caso da mortalidade cardiovascular, perderam a significância após ajustes adicionais para AFTL e AF ocupacional. 30,31 Esses achados, provavelmente, refletem o fato de que o instrumento utilizado no nosso estudo para avaliar AF, o IPAQ, não distingue a intensidade do deslocamento, quer seja a pé, quer seja de bicicleta. Assim, se o deslocamento for feito de forma lenta, talvez os benefícios para a saúde não ocorram de modo significativo. Nesse sentido, em recente publicação com dados do ELSA-Brasil foi observado que a associação entre AFDESL e hipertensão arterial foi positiva em mulheres e sem significância estatística entre homens, enquanto a associação entre AFTL e hipertensão arterial foi inversa em ambos os sexos. 32 Resultados de dados também do ELSA-Brasil e ainda não publicados sugerem que o deslocamento ativo, mais frequente nos estratos sociais menos privilegiados, em vez de refletir a adoção de um hábito saudável, provavelmente decorre de desigualdades na mobilidade urbana em cidades brasileiras. Os mecanismos pelos quais a AF reduz os níveis de PA, glicemia e perfil lipídico permanecem especulativos. Recente publicação enfatizou a necessidade de novos estudos para melhor compreensão dos aspectos celulares e moleculares envolvidos nos principais benefícios para a saúde induzidos pela AF. 33 Quanto à PA, conforme o American College of Sports Medicine (ACSM), 15 as principais evidências apontam: a) diminuição dos níveis de insulina, com consequente redução da retenção do sódio renal e tônus simpático basal; b) redução dos níveis das catecolaminas; c) liberação, pela musculatura esquelética, de substâncias vasodilatadoras na circulação. Com relação ao perfil lipídico, existem poucas informações a respeito dos mecanismos responsáveis pela redução nos níveis de LDL-C e de dosagem da lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL-C). Entretanto, a principal razão para a elevação do HDL-C é a maior ação da lipoproteína lipase (LPL) em resposta ao exercício físico: a LPL acelera a decomposição do VLDL-C, removendo os triglicerídeos da corrente sanguínea para os músculos; isso resulta numa transferência de colesterol e outras substâncias para o HDL-C aumentando, consequentemente, a concentração deste. 16 No que diz respeito aos níveis glicêmicos, a AF parece desempenhar importante papel na redução dos níveis de glicose sanguínea, porque promove proliferação de capilares, aumentando a atividade da LPL no músculo — o que, por sua vez aumenta a sensibilidade à insulina. Além disso, maiores níveis de prática de AF podem aumentar o número de fibras musculares oxidativas, mais sensíveis à insulina, promovendo assim redução na glicemia. 17 Como ponto forte do estudo, ressalta-se que a amostra se constitui de uma coorte de voluntários de servidores públicos que, apesar de não ser representativa da população de modo geral, apresenta um número expressivo de participantes de seis capitais brasileiras. Outro ponto forte refere-se ao fato de terem sido calculados os valores de diferentes escores de risco cardiovascular, o que permitiu a análise da associação destes tanto com a AFTL quanto com a AFDESL. 41

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