ABC | Volume 110, Nº1, Janeiro 2018
Artigo Original Pitanga et al Atividade física e escores de risco cardiovascular Arq Bras Cardiol. 2018; 110(1):36-43 escores de risco cardiovascular analisados, a AFTL apresenta-se inversamente associada, enquanto a AFDESL não se associa de modo estatisticamente significante com nenhum deles. Nas Tabelas 4 e 5 podemos observar a existência de efeito dose-resposta na associação entre AFTL e escores de risco cardiovascular principalmente em homens. Discussão O estudo analisou a associação entre AFTL e AFDESL com os diferentes escores de risco cardiovascular. A AFTL, porém não a AFDESL, apresentou associação inversa com os escores de risco analisados. Esses resultados, principalmente com relação à AFTL, foram similares àqueles encontrados em 41.053 finlandeses quando foi observado que níveis moderados ou altos de atividade física no tempo livre entre homens e mulheres, e, caminhadas diárias ou de bicicleta para o trabalho apenas entre as mulheres estavam associadas a risco reduzido para eventos coronarianos. 14 Em ou t r o e s t udo , quando f o r am ana l i s ado s comportamentos saudáveis, entre eles a AF mensurada por acelerometria, observou-se associação inversa com efeito dose-resposta entre os comportamentos saudáveis positivos e o risco para doenças cardiovasculares ateroscleróticas. 25 No nosso trabalho, também constatamos a existência de efeito dose-resposta na associação entre AFTL e escores de risco cardiovascular principalmente em indivíduos do sexo masculino. Ou seja, quanto mais AF, menor o risco de eventos cardiovasculares. O efeito dose-resposta verificado no presente estudo vem sendo reportado já há bastante tempo. Kohl, 5 evidenciou, por meio de vasta revisão de literatura, em diferentes estudos longitudinais, a existência de associação inversa na forma dose-resposta entre AF e doenças cardiovasculares, sobretudo doença arterial coronariana. É importante ressaltar que, na classificação adotada neste trabalho, a quantidade de AFTL foi calculada com base tanto na duração quanto na intensidade da AF. Em outros estudos do nosso grupo de pesquisa, 11,12 nos quais a AF foi classificada considerando-se apenas a intensidade, foi possível averiguar que somente a AF moderada se apresentou como discriminadora da ausência de hipertensão e diabetes. Assim, pode-se supor que o aumento da quantidade de atividade física para proporcionar maiores benefícios à saúde deve ser sugerido, levando-se em conta tanto a sua intensidade quanto a sua duração. Os resultados encontrados na associação entre AFTL e os escores de risco cardiovascular são esperados considerando‑se que as principais variáveis que compõem esses escores apresentam isoladamente associação comAFTL. Vários estudos salientam que a AFTL está inversamente associada com níveis elevados de PA, 7,12 diabetes, 11,26 alterações lipídicas 27 e risco de doença arterial coronariana. 28 Ainda de acordo com nossos resultados, as associações demonstradas em estudos prévios mostram-se de forma mais consistente em homens do que em mulheres. 28,29 Com relação à AFDESL, não foi possível demonstrar associações com os escores de risco cardiovascular, embora estudos prévios tenham encontrado relação entre AFDESL Tabela 2 – Associação entre atividade física no tempo livre e no deslocamento e escores de risco cardiovascular em homens: Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), 2008–2010 Escores de risco cardiovascular Atividade física no tempo livre (n = 6.222) Atividade física no deslocamento (n = 6.222) Escore de Framingham — doença coronariana (colesterol)* 0,72 (0,60–0,85) 0,99 (0,84–1,19) Escore de Framingham — doença coronariana (LDL-C)* 0,72 (0,58–0,88) 1,04 (0,84–1,28) Escore de Framingham — doença cardiovascular (colesterol)* 0,76 (0,65–0,88) 0,97 (0,83–1,17) Escore de Framingham — doença cardiovascular (IMC)# 0,68 (0,59–0,79) 0,96 (0,83–1,11) Equações de coorte agrupadas para doença cardiovascular aterosclerótica* 0,78 (0,65–0,95) 0,95 (0,79–1,15) IMC: índice de massa corpórea; LDL-C: lipoproteína de baixa densidade. *Ajustado por idade, obesidade e escolaridade; #ajustado por idade e escolaridade. Tabela 3 – Associação entre atividade física no tempo livre e no deslocamento e escores de risco cardiovascular em mulheres: Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), 2008–2010 Escores de risco cardiovascular Atividade física no tempo livre (n = 7.499) Atividade física no deslocamento (n = 7.499) Escore de Framingham — doença coronariana (colesterol)* 0,64 (0,42–0,97) 1,26 (0,87–1,82) Escore de Framingham — doença coronariana (LDL-C)* 0,60 (0,42–0,86) 1,14 (0,83–1,58) Escore de Framingham — doença cardiovascular (Colesterol)* 0,63 (0,50–0,81) 1,13 (0,90–1,41) Escore de Framingham — doença cardiovascular (IMC)* 0,78 (0,64–0,96) 1,02 (0,84–1,24) Equações de coorte agrupadas para doença cardiovascular aterosclerótica* 0,85 (0,63–1,16) 0,98 (0,73–1,32) IMC: índice de massa corpórea; LDL-C: lipoproteína de baixa densidade. *Ajustado por idade e escolaridade. 40
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