ABC | Volume 110, Nº1, Janeiro 2018

Artigo Original González-Rivas et al Dislipidemias na Venezuela Arq Bras Cardiol. 2018; 110(1):30-35 Análise estatística Todos os cálculos foram realizados usando o software SPSS 20 (IBM corp. lançado em 2011. Armonk, Nova York, EUA). Verificou-se que todas as variáveis tinham distribuição normal usando um teste de anormalidade (Kolmogorov‑Smirnov). Todas as variáveis foram contínuas e os dados foram apresentados como médios ± desvio padrão (DP). As diferenças entre os valores médios foram avaliadas com o teste t. Apresentaram-se as proporções de indivíduos com dislipidemia como taxas de prevalência e intervalos de confiança de 95% (IC). Aplicou-se o teste do Qui-quadrado para comparar diferentes frequências por gênero, estado nutricional e obesidade abdominal. O valor de p < 0,05 foi considerado estatisticamente relevante. Resultados Características dos indivíduos Dois terços dos participantes do estudo eram do sexo feminino. Os homens apresentaram triglicerídeos e circunferência da cintura mais elevados, além de menor HDL-c do que as mulheres (Tabela 1). Idade, IMC, colesterol total e LDL-c foram semelhantes. Prevalência de dislipidemia O HDL-c baixo foi a mudança de lipídios mais prevalente em quase sete mulheres, e em cerca de quatro dos dez homens (p < 0,01), seguido por triglicerídeos elevados presentes em metade dos homens e em um terço das mulheres (p < 0,01). Sua combinação, dislipidemia aterogênica, foi observada em 25,9% dos indivíduos, seguida por níveis elevados de LDL-c e colesterol total (Tabela 2). A dislipidemia mista foi observada em apenas 8,9% dos indivíduos e foi maior entre homens do que mulheres. Encontrou-se uma prevalência crescente de todos os tipos de dislipidemias quando os indivíduos foram classificados de acordo com o IMC e obesidade abdominal (Figura 1 e Figura 2). A prevalência de hipercolesterolemia, LDL-c elevado e dislipidemia mista foi semelhante em indivíduos com sobrepeso e obesidade, mas maior do que a encontrada no grupo de peso normal. Discussão Segundo o estudo, a anormalidade lipídica mais prevalente na amostra subnacional de adultos da Venezuela é o HDL-c baixo (58,6%), seguido de triglicerídeos (38,7%), enquanto que a prevalência de hipercolesterolemia (22%) e sua associação com hipertrigliceridemia (8,9%) foram menores. Achados semelhantes foram relatados em estudos anteriores, tanto na Venezuela (estado de Zulia, 65,3% de HDL-c baixo, 32,3% de triglicerídeos elevados), 7 e no México (48,4% de HDL baixo e 42,3% de triglicerídeos elevados). 14 Usando um corte semelhante ao de nosso estudo, observou-se uma prevalência extremamente alta de hipoalfalipoproteinamia na cidade de Valencia (90%) 15 e no município de Junquito (81,1%), 16 na região central da Venezuela. De forma semelhante ao que se observou em homens em nosso estudo (49,5%), os estudos acima mencionados emValencia e Junquito também relataram alta prevalência de triglicerídeos elevados (51%). 15,16 A maioria desses resultados é consistente com achados anteriores na região da América Latina. Em uma revisão sistemática da síndrome metabólica na América Latina, a mudança mais frequente foi HDL-c baixo em 62,9% dos indivíduos. 17 Embora a hipercolesterolemia (22,2%) seja significativamente menor em comparação com as alterações mencionadas acima, ela foi superior ao estudo CARMELA (5,7%) em Barquisimeto, 6 e similar ao observado em Valencia (19,0%). 15 Portanto, a hipercolesterolemia permanece como fator de risco cardiovascular a ser considerado na implementação de medidas de saúde pública na população venezuelana. Outros achados são consistentes com estudos prévios que relatam que a prevalência de dislipidemia aumenta com a adiposidade. Indivíduos com sobrepeso/obesidade 14,18 e obesidade abdominal 18 apresentam perfis lipídicos mais baixos do que os indivíduos com peso normal. Como em nosso estudo, relatou-se maior número de triglicerídeos elevados em homens, 14,18 e nenhuma diferença entre indivíduos com sobrepeso e obesidade quando agrupados de acordo com o IMC. 14 Dislipidemias podem ser causadas por fatores genéticos e ambientais (obesidade, tabagismo, baixa atividade física). Em nosso estudo, a prevalência de HDL-c baixo sem outras anormalidades lipídicas foi de 29,2% (15% homens, 35,7% mulheres). Destes, aqueles com baixo HDL-c e peso normal (10,6% total, 5,3% homens e 13,0% mulheres) poderiam Tabela 1 – Características dos indivíduos Homens Mulheres Total Relevância Participantes (n, %) 412 (31,2) 908 (68,8) 1320 (100) Idade (anos) 45,8 ± 14,8 44,4 ± 14,0 44,8 ± 14,3 NS Índice de massa corporal (kg/m 2 ) 27,7 ± 5,0 27,6 ± 5,3 27,6 ± 5,2 NS Circunferência da cintura (cm) 96,6 ± 13,2 89,8 ± 12,3 91,9 ± 13,0 < 0,0001 Lipoproteína de alta densidade (HDL-c) (mg/dL)* 43,2 ± 10,4 47,2 ± 10,9 45,9 ± 10,9 NS Triglicerídeos (mg/dL) 175,3 ± 154,7 140,0 ± 87,3 151,0 ± 114,3 < 0,0001 Colesterol total (mg/dL) 207,7 ± 46,5 206,3 ± 47,6 206,7 ± 47,2 NS Lipoproteína de baixa densidade (LDL-c) (mg/dL) 131,0 ± 43,4 131,4 ± 43,8 131,3 ± 43,7 NS Os dados referem-se à média ± DP. Diferenças de gênero de acordo com o teste t. 32

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