ABC | Volume 115, Nº2, Agosto 2020

Artigo Original Revascularização Completa Versus Tratamento da Artéria Culpada no Infarto com Supradesnivelamento do Segmento ST: Registro Multicêntrico Complete Revascularization Versus Treatment of the Culprit Artery Only in ST Elevation Myocardial Infarction: A Multicenter Registry Julia Cremona Cadore, 1 Mariana Vargas Furtado, 2 Rogério Tumelero, 3 Alexandre Tognon, 3 Ana Maria Krepsky, 1 Denis Cadore, 3 Karen Brasil Ruschel, 2 Julia Caldas Bedin, 4 Thais Conte, 4 Carisi Anne Polanczyk 5 Universidade Federal do Rio Grande do Sul - PPG Ciências Cardiovasculares: Cardiologia, 1 Porto Alegre, RS - Brasil Hospital de Clínicas de Porto Alegre - Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde, 2 Porto Alegre, RS - Brasil Universidade de Passo Fundo, 3 Passo Fundo, RS - Brasil Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Faculdade de Medicina, 4 Porto Alegre, RS - Brasil Hospital de Clínicas de Porto Alegre, 5 Porto Alegre, RS – Brasil Correspondência: Carisi Anne Polanczyk • Hospital de Clínicas de Porto Alegre - Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde - Rua Ramiro Barcelos, 2350. CEP 90035-903, Porto Alegre, RS – Brasil E-mail: carisi.anne@gmail.com Artigo recebido em 13/11/2018, revisado em 14/06/2019, aceito em 18/08/2019 DOI: https://doi.org/10.36660/abc.20180346 Resumo Fundamento: São restritos os dados sobre o manejo e o prognóstico dos pacientes com infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST) com acometimento multiarterial no Brasil, o que mostra a necessidade de investigar as estratégias de revascularização disponíveis. Objetivo: Avaliar os desfechos relacionados à revascularização completa em comparação com o tratamento da artéria culpada em pacientes multiarteriais com IAMCSST. Métodos: Foi realizada um estudo de coorte prospectiva em dois centros de hemodinâmica do Sul do Brasil, com seguimento de 1 ano após a intervenção índice. O desfecho primário foi composto de óbito cardiovascular, reinfarto ou angina recorrente e secundários acidente vascular encefálico, parada cardiorrespiratória não fatal, sangramento maior ou necessidade de reintervenção. A probabilidade de ocorrência de desfechos foi comparada entre os grupos através de regressão logística binária. Considerou-se como estatisticamente significativo o valor de probabilidade < 0,05. Resultados: Participaram 85 pacientes, com média de idade de 62±12 anos, sendo 61 (71,8%) do sexo masculino. Cinquentaeoito (68,2%) pacientes receberamaestratégiade revascularizaçãocompletae27 (31,8%), ade revascularização incompleta. A chance de ocorrência tanto do desfecho primário quanto do secundário foi significativamente maior entre os indivíduos tratados com revascularização incompleta quando comparados com os tratados com estratégia completa [razão de chances (OR) 5,1, intervalo de confiança de 95% (IC95%) 1,6-16,1 vs. OR 5,2, IC95% 1,2-22,9, respectivamente], assim como os óbitos cardiovasculares (OR 6,4, IC95% 1,2-35,3). Conclusão: Dados deste registro regional, de dois centros do Sul doBrasil, demonstramque a estratégia de revascularização completa esteve associada à redução significativa dos desfechos primário e secundário no seguimento de 1 ano quando comparada à estratégia de revascularização incompleta. (Arq Bras Cardiol. 2020; 115(2):229-237) Palavras-chave: Infarto do Miocárdio com Supradesnível do Segmento ST/mortalidade; Estudos de Coortes; Hemodinâmica; Registros de Óbitos; Angina Pectoris; Acidente Vascular Cerebral; Parada Cardíaca; Intervenção Coronária Percutânea. 229

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