ABC | Volume 115, Nº2, Agosto 2020
Artigo Original Almeida Junior et al. Registro Multicêntrico de Takotsubo (REMUTA) Arq Bras Cardiol. 2020; 115(2):207-216 de beta-bloqueadores (76,2%), antiagregantes plaquetários (60,1%), inibidores da enzima conversora de angiotensina ou bloqueadores dos receptores da angiotensina (59,5%), anticoagulantes (42,6%) e diurético de alça (40,9%). A utilização de dobutamina (17,7%) e noradrenalina (21,3%) tambémesteve presente numa parcela relativamente grande da população (Figura 2). Quanto à evolução clínica intra-hospitalar, observamos que 40,5% dos pacientes necessitaram do uso de ventilação mecânica não-invasiva e 25,7% de ventilação mecânica invasiva. Edema agudo de pulmão foi observado em 24,1% dos pacientes e choque circulatório em 17,4%. Arritmia ventricular esteve presente em 8,5% dos pacientes, parada cardiorrespiratória em 12,7% e suporte circulatório mecânico foi utilizado em 7,7% dos casos (Figura 3). A mortalidade intra-hospitalar observada foi de 10,6% e a mortalidade ao final de 1 ano foi de 16,5% (figura 4). Apenas 01 paciente com takotsubo primário evoluiu para óbito intra- hospitalar (0,91%), em comparação com 17 pacientes no grupo takotsubo secundário (28,3%). A Tabela 4 mostra a análise univariada de preditores clínicos e de exames complementares, com seu significado estatístico. Para as variáveis com distribuição não-normal (troponina, BNP e fração de ejeção), utilizamos o teste de Mann-Whitney e apenas a fração de ejeção pelométodo de Teichholz apresentou diferença significativa entre os grupos óbito e vivos (p = 0,001). Analisando os preditores de óbito na análise multivariada (regressão logística forward stepwise ) observamos que takotsubo secundário (p = 0,035 e OR: 4,5) e choque cardiogênico (p < 0,001 e OR: 13,2) foram preditores independentes de mortalidade enquanto a presença de dor torácica foi fator protetor (p< 0,011 e OR: 0,14). A Tabela 5 mostra essa análise. A curva de sobrevida desses preditores se encontra na Figura 5. Discussão O presente estudo é o primeiro registro multicêntrico de takotsubo no Brasil. As informações mais importantes após análise dos dados foram: 1) A maioria das características clínico-epidemiológicas são semelhantes aos dos registros Tabela 2 – Variáveis laboratoriais e eletrocardiográficas Variável (dados com registro/N total) Resultado Troponina positiva (161/169)(%) 92,5 CK-MB Positiva (84/169) (%) 84,7 Supra SST (161/169)(%) 28,0 Infra SST (161/169)(%) 11,8 BRE completo (161/169)(%) 7,1 Alteração repolarização (161/169)(%) 52,6 BNP (45/169) (pg/ml)(mediana/IQR) 395 (176,5; 1725) Pró-BNP (7/169) (média ± DP) 4068,57 ± 6121,28 Troponina I (45/169) (mediana/IQR) 2,37 (0,63; 4,3) Troponina I US (76/169) (mediana/IQR) 24,3 (0,8; 2650) BRE: bloqueio do ramo esquerdo; infra SST: infradesnivelamento do segmento ST; supra SST: supradesnivelamento do segmento ST. Tabela 1 – Variáveis clínicas da amostra Variável REMUTA (n = 169) Idade (média ± DP) 70,9 ± 14,1 Sexo Masculino (%) 9,47 Dor torácica (%) 63,6 Dispneia (%) 44,6 Hipertensão Arterial (%) 69,7 Diabetes (%) 24,2 Dislipidemia (%) 37,6 Doença renal crônica (%) 5,4 FA/flutter (%) 21,2 Tabagismo (%) 17,6 Obesidade (%) 18,2 Estresse emocional (%) 38,8 PAS (mmHg) (média ± DP) 126,73 ± 25,2 PAD (mmHg) (média ± DP) 72,99 ± 15,6 PAM(mmHg) (média ± DP) 90,50 ± 17,8 FC (bpm) (média ± DP) 86,30 ± 20,0 Tempo de internação (dias) (mediana/IQR) 7,5 (5; 16) DP: desvio padrão; FA: fibrilação atrial; FC: frequência cardíaca; PAD: pressão arterial diastólica; PAM: pressão arterial média; PAS: pressão arterial sistólica. quando avaliada pelo método de Simpson e de 48 (40; 62)% quando avaliada pelo método de Teichholz. Foi avaliada a presença de reversão completa ou parcial da disfunção do VE, e esta esteve presente em 68,2% dos casos. A Tabela 3 mostra as principais variáveis ecocardiográficas analisadas e a Figura 1 os padrões de alteração segmentar de contração. Quando analisamos os fármacos utilizados durante o período de internação, percebemos uma predominância Tabela 3 – Variáveis ecocardiográficas Variável (n) Resultado FEVE Teichholz (143)(mediana/IQR) 48 (40; 62) FEVE Simpson (87)(mediana/IQR) 40 (35; 48) IM Moderada a grave (167) (%) 6,6 Trombo em VE ou VD (167) (%) 3,0 Derrame pericárdico (167) (%) 4,8 Obstrução do TSVE (166) (%) 4,2 Reversão da disfunção do VE (132) (%) 68,2 FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo; IM: insuficiência mitral; TSVE: trato de saída do ventrículo esquerdo; VD: ventrículo direito; VE: ventrículo esquerdo. 210
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