ABC | Volume 114, Nº4, Suplemento, Abril 2020

Correlação Clínico-radiográfica Atik et al. Origem anômala da artéria coronária esquerda do tronco pulmonar em mulher com 75 anos Arq Bras Cardiol 2020; 114(4Supl.1):40-42 sobrecarga das cavidades esquerdas e com preservação da função miocárdica. Raciocínio clínico: Havia elementos clínicos de orientação diagnóstica da cardiopatia congênita, apesar da ausência de sintomas evidentes. O sopro contínuo nítido em posição alta na fúrcula e nos espaços mais altos da borda esternal esquerda, comaumento da trama vascular pulmonar e consequentemente do átrio esquerdo, aliado a fenômenos isquêmicos no ECG orientariam para o diagnóstico da origem da artéria CE do TP. Esse diagnóstico clínico elaborado não pôde ser realizado anteriormente pela falta de sintomas, mas também pela negligência de um exame clínico semiológico devidamente realizado e avaliado, com a acurácia adequada. O diagnóstico no caso foi estabelecido pelo cateterismo cardíaco. Diagnóstico diferencial: Outras cardiopatias que se acompanham de sopro contínuo correspondem a persistência do canal arterial, janela aortopulmonar e fístulas arteriovenosas em geral. No entanto, os sinais de isquemia miocárdica descritos e evidentes pelo ECG e teste ergométrico alterado não ocorrem nestas outras anomalias referidas, a não ser que haja obstrução coronária por aterosclerose associada. Conduta: Em face da repercussão de volume das artérias pulmonares com hiperfluxo, e também para as cavidades esquerdas e ainda com isquemia miocárdica, pensou-se na possibilidade da eliminação da junção da artéria CE com o TP através da simples ligadura terminal da artéria coronária. Com esse pensamento haveria principalmente a preservação da função ventricular, além da eliminação da sobrecarga de volume das cavidades esquerdas, na profilaxia de fenômenos adversos a maior prazo adiante. No entanto, como a paciente se mostra sem sintomas e segundo ela própria, como seu quadro pouco se modificou desde sua descoberta há cerca de13 anos, optou‑se pela conduta expectante. A recusa à operação também se sucedeu em casos semelhantes relatados na literatura. 1-3 Comentários: A evolução natural desta paciente até a terceira idade avançada e sem sintomas e com poucas manifestações desfavoráveis, é sem dúvida um fenômeno muito raro. Essa evolução até favorável e em boas condições clínicas e hemodinâmicas se deveu primeiro à exuberante circulação colateral a partir da artéria CD podendo suprir adequadamente a circulação coronária como um todo. A isquemia ântero-lateral no ECG não se expressou com outros elementos em desacerto que causassem problemas à paciente. Espera-se daqui em diante o aparecimento de arritmias, disfunção miocárdica e até fenômenos de trombose e de embolia. Esses caracteres adquiridos que interferem na evolução a mais tempo decorrido deveriam já terem se manifestado anteriormente. Cerca de 90% desses pacientes falecem nos primeiros anos de idade, caso não sejam corrigidos cirurgicamente, e muito poucos alcançam maior idade. 1-3 Ressalte-se que a intervenção operatória, mesmo na idade adulta se mostra favorável com regressão da sobrecarga de volume e de fenômenos de isquemia, como se sucedeu com 50 pacientes relatados, em idades de 31,6+ 15,6. 4 Figura 2 – Cinecoronariografia salienta a partir da artéria coronária direita (CD) o enchimento da artéria coronária esquerda (CE) e do tronco pulmonar (TP) na caracterização da anomalia coronária. As artérias são dilatadas e muito tortuosas, com inúmeras colaterais e sem obstruções. COLATEIRAS TP CE CD 41

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