ABC | Volume 114, Nº4, Abril 2020

Artigo Original Fernandes et al. Galectina-3 na constrição do pericárdio Arq Bras Cardiol. 2020; 114(4):683-689 Tabela 1 – Parâmetros clínicos e laboratoriais Características Medidas Sexo masculino, n (%) 19 (76) Idade (anos), mediana (IIQ) 45 (33-57) IMC, kg/m 2 , mediana (IIQ) 25,6 (22-27) Duração dos sintomas (meses), mediana (IIQ) 24 (12-36) Tempo de hospitalização, mediana (IIQ) 8 (7-16) Tempo na UTI após o procedimento, mediana (IIQ) 2 (2-3) Comorbidades, n (%) Hipertensão 4 (16) Diabetes tipo 2 2 (8) Doença arterial crônica 3 (12) Tabagismo 5 (20) Fibrilação atrial 10 (40) Baixa voltagem ECG 6 (24) Calcificação (Raio X) 11 (44) Derrame pleural (Raio X) 5 (20) Classe funcional NYHA, n (%) I 4 (16) II 7 (28) III 11 (44) IV 3 (12) Sinais clínicos, n (%) Estase jugular 22 (88) Edema 22 (88) Ascite 18 (72) Hepatomegalia 16 (64) Knock pericárdico 12 (48) Sinal de Kussmaul 6 (24) Pulso paradoxal 5 (20) Medidas laboratoriais– mediana (IIQ) Galectina-3, ng/mL* 14,8 (9,7-17,2) Hemoglobina, g/dL, 13,4 (12,8-14,3) Creatinina, mg/dL, 1,02 (0,99-1,26) PCR, mg/dL 5,4 (3,2-9,4) BNP, pg/mL 143 (89-209) Variáveis contínuas apresentadas em mediana e intervalo interquartil (IIQ). Dados categóricos estão apresentados em porcentagem. *risco de morte no pós-operatório calculado pelo EuroSCORE (%). IMC: índice de massa corporal; ECG: eletrocardiograma; UTI: unidade de terapia intensiva; NYHA: New York Heart Association; BNP: peptídeo natriurético do tipo B; PCR: proteína C-reativa ventrículo direito, DDVD; diâmetro sistólico do ventrículo direito, DDVD; diâmetro do átrio esquerdo, fração de ejeção do ventrículo esquerdo) ou medidas da RMC (pressão sistólica da artéria pulmonar, PSAP > 55 mmHg; diâmetro do átrio esquerdo; movimento anormal do septo; dilatação da veia cava e realce tardio do miocárdio e do pericárdio). Exames de imagens Todos os indivíduos foram submetidos à ecocardiografia e à RMC. Os valores medianos de fração de ejeção medida por ecocardiografia e RMC foram 60% e 57%, respectivamente. Ao analisar os parâmetros ecocardiográficos, somente 13 (52%) dos resultados sugeriram pericardite constritiva como diagnóstico. Além disso, espessamento do pericárdio foi observado em 17 (68%) indivíduos, e variação inspiratória no fluxo mitral e tricúspide em 13 (52%), sugerindo restrição diastólica (Tabela 2). As imagens da RMC sugeriram diagnóstico de PCC em 23 (92%) indivíduos. Espessamento (>4 mm) foi encontrado em 21 indivíduos, e as anormalidades mais frequentes foram movimentação anormal do septo e dilatação da aorta e veia cava, ambos observados em 23 (92%) pacientes, seguido de aumento do átrio esquerdo em 22 (88%) (Tabela 3). Teste cardiopulmonar de exercício Em todos os indivíduos, o TCPE mostrou-se seguro, sem sérias complicações. Os testes foram considerados efetivos, uma vez que a razão (mediana) de troca respiratória foi 1,1 em ambos os momentos do estudo. De modo geral, após a intervenção cirúrgica, os pacientes apresentaram melhora na capacidade cardiopulmonar (Tabela 3) em termos de velocidade na esteira, pico de frequência cardíaca, pico de consumo de oxigênio (VO 2 pico) no limiar anaeróbico (LA), LA, e VO 2 e inclinação V E /VCO 2 . Os valores de BNP não tiveram correlação com parâmetros do TCPE antes ou após o procedimento de pericardiectomia. No entanto, apesar de não termos observado correlação do marcador Gal-3 com parâmetros do TCPE antes da pericardiectomia, observamos uma correlação moderada inversa com duração do teste (r = –0,79; p < 0,001), tempo de exercício (r = -0,79; p < 0,001) e frequência cardíaca no LA (r = 0,60; p = 0,01). Estudo histopatológico A análise histológica foi realizada com 21 amostras. Fibrose grave e calcificação foramachados comuns, encontrados em 19 (90,5%) e 12 (57,1%) das amostras, respectivamente. Inflamação leve foi detectada em 16 casos (76,2%) pelo exame histopatológico. Não foi observada associação estatisticamente significativa entre Gal-3 e esses achados (Tabela 4). Discussão Nosso estudo mostrou que pacientes com diagnóstico de PCC apresentaram níveis normais de Gal-3 no período pré‑operatório, comparáveis aos indivíduos controles. Ainda, não observamos correlação significativa de Gal-3 commedidas ecocardiográficas e de RMC ou BNP. Após pericardiectomia, observamos umamelhora no VO 2 pico e na inclinação V E /VCO 2 , os quais são marcadores de um pior prognóstico. Contudo, observamos associações negativas entre Gal-3 e parâmetros de TCPE como a duração do teste e o tempo de exercício. Gal-3 é conhecido por ser um mediador de fibrose em muitos órgãos, incluindo coração, rim, pâncreas, fígado e pulmão. 8 No entanto, não foram realizados estudos 686

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