ABC | Volume 114, Nº4, Abril 2020

Minieditorial Treinamento Muscular Inspiratório em Diferentes Intensidades na Insuficiência Cardíaca: Há Diferenças nas Alterações Hemodinâmicas Centrais? Inspiratory Muscle Training at Different Intensities in Heart Failure: Are There Differences in Central Hemodynamic Changes? Lucas Helal 1,2, 3 e Filipe Ferrari 2, 4 Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, 1 Criciúma, SC - Brasil Programa de Pós-Graduação em Cardiologia e Ciências Cardiovasculares, Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2 Porto Alegre, RS - Brasil Centre for Journalology, Ottawa Hospital Research Institute, 3 Ottawa - Canada Grupo de Pesquisa em Cardiologia do Exercício (CardioEx), Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 4 Porto Alegre, RS - Brasil Minieditorial referente ao artigo: Estudo Controlado das Alterações Hemodinâmicas Centrais de uma Sessão de Exercício Inspiratório com Diferentes Cargas na Insuficiência Cardíaca Correspondência: Lucas Helal • Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, Criciúma, Santa Catarina, Brasil, 88806-000 E-mail: lh@unesc.net Palavras-chave Insuficiência Cardíaca; Pressões Respiratórias Máximas; Frequência Cardíaca; Volume Sistólico; Débito Cardíaco; Monitoração Hemodinâmica/métodos. A insuficiência cardíaca (IC) é uma entidade complexa e geralmente com prognóstico reservado, apontada como uma doença cardiovascular de extrema relevância devido à sua crescente incidência, prevalência e alta morbimortalidade associadas. 1 Estima-se que a sua prevalência esteja variando entre 1% a 2% nos países desenvolvidos, atingindo >10% nas pessoas acima de 70 anos de idade; 2 ademais, é considerada a principal causa cardiovascular de internação em indivíduos acima de 60 anos. 3 Entre os principais sintomas característicos da IC, destacam-se dispneia e fadiga, os quais estão intimamente associados ao comprometimento da capacidade funcional e, consequentemente, da qualidade de vida desses indivíduos. 4 O treinamento físico, por sua vez, ganhou um espaço de destaque nas últimas décadas, com o intuito de melhoria deste cenário, embasado por um crescente número de comprovações sólidas; sendo assim, ele tem a capacidade de impactar favoravelmente no ganho da capacidade funcional e qualidade de vida dos pacientes com IC. 5,6 Dentre os diversos tipos de treinamento físico direcionados a esta população, o treinamento muscular inspiratório (TMI) é conhecido por sua fácil aplicabilidade e potenciais benefícios neste cenário. Treinamento muscular inspiratório na insuficiência cardíaca Há evidências robustas sugerindo que a fraqueza dos músculos inspiratórios é um dos principais fatores que levam à baixa tolerância ao exercício nos pacientes com IC. 7,8 De fato, ensaios clínicos randomizados comprovaram inúmeros benefícios do TMI em portadores desta síndrome, a citar: melhora significativa na eficiência na captação do oxigênio, 9 capacidade funcional e escores de qualidade de vida. 10 Estes resultados foram confirmados por metanálises, como aquela conduzida por Smart et al. 11 Quando comparados ao grupo controle, os pacientes submetidos a TMI alcançaram uma melhora importante no consumo máximo de oxigênio (VO 2 máx): 1,83 ml.kg -1 .min -1 (IC95%, 1,33 para 2,32 ml.kg -1 . min -1 , p <0,00001), bem como no teste de caminhada de 6 minutos: 34,35 m (IC95%, 22,45 para 46,24 m, p <0,00001). Por sua vez, a força muscular inspiratória parece ter uma correlação significativa com o VO 2 máx, o qual é um preditor independente de sobrevida nos indivíduos com IC. 12 O TMI, deve, portanto, ser parte integrante dos cuidados destes pacientes sempre que possível. Nesta edição dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, um ensaio clínico randomizado, placebo e controlado 13 avaliou as implicações de uma sessão aguda de diferentes intensidades de TMI sobre a resposta hemodinâmica central (RHC) de indivíduos com IC, utilizando um método não invasivo de monitorização. Para tal, foram incluídos 20 pacientes com fração de ejeção reduzida (37,2% ± 6,3%), idade média de 65 anos, e na grande maioria em classe funcional II da New York Heart Association (NYHA). O protocolo do TMI se resumiu em 3 sessões durante 15 minutos cada. Todos os participantes realizaram o treinamento com intensidade em 30% e 60% da pressão inspiratória máxima (PImáx), além de intervenção sham (placebo), com washout de 1 hora entre elas. Foi observado que a RHC se comportou de forma heterogênea entre as intensidades. Por exemplo, houve um aumento da frequência cardíaca com as intensidades de 30% e 60% da PImáx (64 ± 15 para 69 ± 15 batimentos por minuto; e 67 ± 14 para 73 ± 14 batimentos por minuto, respectivamente). Em relação ao volume sistólico, houve tendência à redução com a carga de 30% da PImáx (73 ± 26 ml para 64 ± 20 ml). Já o débito cardíaco aumentou apenas no grupo de maior intensidade (4,6 ± 1,5 l/min para 5,3±1,7 l/min), comportamento que foi semelhante em relação à resposta da pressão arterial sistólica. De fato, o DOI: https://doi.org/10.36660/abc.20200162 664

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