ABC | Volume 114, Nº3, Março 2020
Minieditorial Carvalho Exercício Físico e Teste de Caminhada Arq Bras Cardiol. 2020; 114(3):493-495 que incorporaram técnicas de mudança comportamental, aumentaram a capacidade para caminhar, sendo superiores em proporcionar ganho no desempenho no teste de caminhada de seis minutos na comparação com os exercícios supervisionados realizados em esteira. 13,14 Ou seja, enquanto programas de exercícios supervisionados em esteira são superiores em aumentar o desempenho da caminhada na esteira, os programas de exercícios baseados em domicílio são superiores para melhorar o desempenho em caminhada no solo, algo mais bem relacionado às atividades da vida diária 14 Embora em estudos mais recentes os exercícios de caminhada no solo baseados em domicílio tenham se mostrado mais eficazes para o desempenho nas atividades da vida diária, sendo mais indicados do que os exercícios supervisionados em esteira, 14 os pequenos estudos iniciais mostraram pouco ou nenhum benefício, justificando que nas Diretrizes de Prática Clínica do American College of Cardiology/American Heart Association de 2006 constasse equivocadamente “não haver evidências para aconselhar os pacientes a irem para casa caminhar”. Porém, desde 2011 foram publicados ensaios clínicos bem sucedidos que tiveram como intervenção exercícios baseados em domicílio e incluíram substancialmente mais do que conselhos para “ir para casa e caminhar”, solicitando aos pacientes para que estabelecessem metas de exercícios e monitorassem suas atividades físicas, ocasionando a mudança do enfoque. Mesmo com componentes de intervenção comportamental, o exercício baseado em domicílio requer menos recursos e menores custos que o exercício supervisionado em esteira, sendo mais acessíveis e provavelmente mais aceitáveis para muitos pacientes, o que poderia favorecer a uma maior adesão ao tratamento. 13 Na avaliação funcional de pacientes com DAO de MMII, o teste de caminhada de seis minutos vem ganhando espaço, como uma medida validada, mais bem relacionada aos níveis de atividade física que o teste em esteira, sem estar associado a um efeito de aprendizado quando testes repetidos são realizados. 14 Em pacientes com DAO de MMII, em comparação aos testes realizados em esteira, as alterações no desempenho observadas na caminhada de seis minutos têm sido melhor associadas a desfechos como mortalidade e perda de mobilidade. 14 No artigo “Intensidade de Exercício durante o Teste de Caminhada de 6 Minutos em Pacientes com Doença Arterial Periférica”, 1 o LA foi alcançado no teste de caminhada de 6 minutos em 60% dos indivíduos. O consumo pico de oxigênio obtido durante o teste em esteira, assim como o ITB, foram maiores nos pacientes que não alcançaram o LA durante o teste de caminhada de 6 minutos. O teste de caminhada de 6 minutos foi mais difícil para mulheres e pacientes com baixa aptidão cardiorrespiratória, revelando maior intensidade relativa de esforço de exercício para esses pacientes. Isso é algo relevante na prática, pois visando à melhora da função cardiovascular, recomenda-se que o treinamento físico seja realizado acima do LA. 15 Portanto, o artigo mostra que existe fundamentação para a utilização de caminhada no solo como modo de exercício preferencial principalmente para mulheres e pacientes com baixa aptidão cardiorrespiratória. Para homens e pacientes com maior aptidão cardiorrespiratória devem ser considerados exercícios mais intensos, em cicloergômetros, ergômetros elípticos ou mesmo esteiras, visando atingir o LA e, consequentemente, melhorar aptidão física. Por fim, vale mais uma vez ressaltar que o artigo “Exercise Intensity During 6-min Test in Patients with Peripheral Artery Disease” apresenta originais e interessantes resultados, mas sendo um estudo observacional unicêntrico, com pequeno número de indivíduos, obviamente, apresenta limitações que impedem fortes conclusões. Portanto, as importantes informações aplicáveis à prática clínica que constam nos resultados do estudo publicado nesse artigo merecem ser consideradas como temas de futuras pesquisas. 1. Farah BQ, Ritti-Dias RM, Montgomery P, Cucato GG, Gardner A. Exercise Intensity during 6-Minute Walk Test in Patients with Peripheral Artery Disease. Arq Bras Cardiol. 2020; 114(3):486-492 2. Neder JA, Nery LE. Teste de Exercício Cardiopulmonar. J Pneumol. 2002; 28(Supl 3): 166-206. 3. Song P, Rudan D, Zhu Y, Fowkes FJI, Rahimi K, Fowkes FGR, et al. 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Aboyans V, Ricco JB, BartelinkMEL, BjorckM, BrodmannM, Cohnert T, et al; ESC ScientificDocument Group. 2017 ESCGuidelines on theDiagnosis and Treatment of Peripheral Arterial Diseases, in collaborationwith the European Society for Vascular Surgery (ESVS): document covering atherosclerotic disease of extracranial carotid and vertebral, mesenteric, renal, upper and lower extremity arteries Endorsed by: the European Stroke Organization (ESO) The Task Force for the Diagnosis and Treatment of Peripheral Arterial Diseases of the European Society of Cardiology (ESC) and of the European Society for Vascular Surgery (ESVS). Eur Heart J. 2018;39(9):763–816. 7. Gerhard-Herman MD, Gornik HL, Barrett C, Barshes NR, Corriere MA, Drachman DE, et al. 2016 AHA/ACC Guideline on the Management of Patients With Lower Extremity Peripheral Artery Disease: Executive Summary: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines. Circulation. 2017;135(12):e686-e725. 8. Tóth-Vajna Z, Tóth-Vajna G, Gombos Z, Szilágyi B, Járai Z, Berczeli M, Sótonyi P. Screening of peripheral arterial disease in primary health care. Vascular Health Risk Manag. 2019 Aug 20;15:355-63. Referências 494
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