ABC | Volume 114, Nº3, Março 2020

Minieditorial Discordância da Lipoproteína de Baixa Densidade e da Lipoproteína de Alta Densidade com Gravidade de Doença Arterial Coronariana Discordance of Low-Density Lipoprotein Cholesterol and Non-High-Density Lipoprotein Cholesterol with Severity of Coronary Artery Disease Iran Castro 1 e Hugo Fontana Filho 1 Instituto de Cardiologia - Fundação Universitária de Cardiologia, 1 Porto Alegre, RS - Brasil Minieditorial referente ao artigo: Discordância entre Colesterol LDL e Não-HDL e Gravidade da Doença Arterial Coronária Correspondência: Iran Castro • Instituto de Cardiologia - Métodos Gráficos - Av. Princesa Isabel, 395. CEP 90620-000, Santana, Porto Alegre, RS – Brasil E-mail: irancstro@gmail.com Palavras-chave Doenças Cardiovasculares/mortalidade; Lipoproteinas LDL; Lipoproteinas HDL; Doença da Artéria Coronariana; Inibidores de Hidroximetilglutaril-CoA Redutases; Pro- Proteina Convertase 9. As doenças cardiovasculares (DCVs) são as principais causas de morte em todo o mundo. 1 A dislipidemia é um fator de risco e também um fator causal de DCVs, sendo foco da terapia de prevenção primária e secundária das DCVs. Existe um consenso e um amplo conhecimento acerca dos mecanismos causais da lipoproteína de baixa densidade (LDL) nas DCVs, e os benefícios da terapia hipolipemiante, sendo que a magnitude de seu efeito é proporcional à redução dos níveis circulantes. 2 No entanto, apesar do uso intensivo de agentes hipolipemiantes, permanece um risco residual, um alvo constante de pesquisa e terapia. Evidência recente confirma que o evento inicial da aterogênese é a retenção de LDL e outras partículas na parede do vaso. 3 Níveis elevados de colesterol não-HDL ajudam a identificar pacientes que continuam com alto risco para eventos cardiovasculares apesar de níveis baixos de LDL. 4 O presente estudo 5 avaliou retrospectivamente características anatômicas de 574 pacientes diagnosticados com síndrome coronariana aguda e correlacionou os achados com níveis séricos de LDL e não-HDL. Observou-se uma discordância de 15% entre LDL e não-HDL, o que foi similar a estudos prévios. 6 No entanto, não foram identificadas diferenças anatômicas significativas na avaliação da gravidade da doença aterosclerótica. O uso prévio de estatinas tem um efeito mais significativo na redução de LDL em comparação a não-HDL, o que pode explicar a falta de associação. Além disso, a sensibilidade dos níveis de LDL em identificar risco cardiovascular é menor no diabetes. 7 De fato, o presente estudo identificou discrepâncias na associação entre diabetes mellitus e níveis de LDL. Talvez o tamanho da amostra não tenha sido adequado para identificar diferenças anatômicas entre os grupos. O acompanhamento de pacientes com associações discrepantes poderia identificar um subgrupo de pacientes em alto risco para novos eventos cardiovasculares. As diretrizes brasileiras já incluemmetas de LDL e não-HDL, buscando identificar indivíduos com níveis adequados de LDL e alto risco residual para eventos cardiovasculares. Estudos prospectivos certamente ajudarão a identificar o subgrupo de pacientes que requeiram uma abordagem terapêutica mais intensa, e que provavelmente se beneficiariam de terapias mais caras e efetivas, como inibidores de PCSK9 e lomitapida. 8 Estudos anteriores já mostraram a eficácia desses medicamentos na redução de eventos cardiovasculares e apolipoprotein(a) em alguns grupos de pacientes. DOI: https://doi.org/10.36660/abc.20200033 1. Organização Mundial da Saúde; Organização Pan-Americana da Saúde. (OPAS/OMS) [Internet]. Doenças cardiovasculares. (acesso em 2020 jan 11). Disponível em: <https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_ content&view=article&id=5638:10-principais-causas-de-morte-no- mundo&Itemid=0 2. Silverman MG, Ference BA, Im K, Wiviott SD, Giugliano RP, Grundy SM, et al. Association Between Lowering LDL-C andCardiovascular Risk Reduction AmongDifferent Therapeutic Interventions: A Systematic ReviewandMeta- analysis. JAMA. 2016;316(12):1289. 3. Ference BA, Ginsberg HN, Graham I, Ray KK, Packard CJ, Bruckert E, et al. Lowdensity lipoproteins cause atherosclerotic cardiovascular disease. 1. Evidence from genetic, epidemiologic, and clinical studies. A consensus statement from the European Atherosclerosis Society Consensus Panel. Eur Heart J. 2017;38(32):2459-72. 4. Arsenault BJ, Boekholdt SM, Kastelein JJ. Lipid parameters for measuring risk of cardiovascular disease. Nat Rev Cardiol. 2011;8(4):197-206. 5. Kurmus O, Erkan AF, Ekici B, Aslan T, Eren M. Discordance of Low-Density Lipoprotein Cholestrol and Non-High-Density Lipoprotein Cholestrol and Coronary Artery Disease Severity. Arq Bras Cardiol. 2020; 114(3):469-475 6. Sniderman AD, Islam S, Yusuf S, McQueen MJ. Discordance analysis of apolipoprotein B and non-high density lipoprotein cholesterol as markers of cardiovascular risk in the INTERHEART study. Atherosclerosis. 2012;225(2):444-9. 7. Mark L, Vallejo-Vaz AJ, Reiber I, Paragh G, Kondapally Seshasai SR, et al. Non-HDL cholesterol goal attainment and its relationship with triglyceride concentrations among diabetic subjects with cardiovascular disease: a nationwide survey of 2674 individuals in Hungary. Atherosclerosis. 2015;241(1):62-8. 8. Kim SH, Baek SH. Lomitapide, relief pitcher for patients with homozygous familial hypercholesterolemia. Eur J Prev Cardiol.2019; 27(2) 155-6. Referências Este é um artigo de acesso aberto distribuído sob os termos da licença de atribuição pelo Creative Commons 476

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