ABC | Volume 114, Nº3, Março 2020
Carta ao Editor Resposta a ‘’Reinternação de Pacientes com Síndrome Coronariana Aguda e seus Determinantes’’: Uma Visão da APS Response to “Readmission of Patients with Acute Coronary Syndrome and its Determinants”: An Overview of PHC Laís Cruz Lima, 1 E liane Mazzuco, 1 André Luís Prudêncio 1 Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), 1 Tubarão, SC – Brasil O estudo de Oliveira et al., 1 mostra dados de suma importância sobre reinternações de pacientes em hospitais em até umano após internação prévia por SCA e seus determinantes. Nesse estudo, foramavaliadas inúmeras variáveis, e entre as mais determinantes destaca-se o tipo de serviço de saúde utilizado pelos pacientes durante as internações. Dessa forma, para melhor compreensão da realidade retratada não só na cidade-sede do estudo, mas em inúmeras outras cidades por todo o Brasil, e a fim de permitir maior entendimento sobre as variáveis abordadas, gostaríamos de salientar questões anteriormente discutidas emarsenais literários. O artigo mostra que, dos 21,46% dos pacientes que necessitaram de reinternação, a maioria utilizava serviços privados de saúde, ressaltando um dos fatores de risco utilizados no presente estudo: o perfil socioeconômico dos participantes. Já entre aqueles que dependiam do sistema público de saúde foi menor a taxa de readmissão, pois, como as vagas são limitadas, nem todos são internados, ao contrário do que se observa no serviço privado. O estudo afirma que a procura pelo serviço hospitalar ocorre devido à dificuldade de acesso a consultas em nível primário, evidenciando uma falha na comunicação entre a atenção básica à saúde e a população, que, a longo prazo, tem reflexo nas internações hospitalares e seus altos custos, potencialmente evitáveis. Segundo Cecílio et al.,² quando se trata do acesso da população ao serviço de saúde, a atenção básica é a porta de entrada para esse sistema, ressaltando um dos papéis fundamentais da Unidade básica: a prevenção, seja primaria, secundaria ou terciaria. Para Starfield³ a Atenção Básica à Saúde que deve coordenar os fluxos dos usuários entre os vários serviços de saúde, buscando garantir maior equidade no acesso. Todavia, para isso é necessária uma comunidade informada e amparada, que seja incentivada a prevenir doenças, cardiovasculares ou não, tanto antes quanto depois de internações prévias. Essa realidade é possível a partir de campanhas, projetos, rastreamento e acompanhamento feitos pela unidade de saúde responsável em cada região. Desse modo, é de suma importância que os profissionais de saúde informem a população sobre os serviços oferecidos pela Atenção Básica de Saúde e suas funções em relação a prevenção de doenças e hospitalização. Assim agindo, garantem uma alternativa potencialmente capaz de reduzir as taxas de internação, pelo serviço público de saúde, durante e após a vigência de SCA. Desta forma, será possível fazer jus à aplicação da Lei 8.080, 4 de 19/9/1990, da Constituição brasileira, que visa à promoção de saúde para todos. Correspondência:Laís Cruz Lima • Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) - Rua Antonio Hulse, 156. CEP 88704220, Tubarão, SC – Brasil E-mail: laiscruzlima@hotmail.com Artigo recebido em 19/11/2019, revisado em 18/12/2019, aceito em 18/12/2019 Palavras-chave Atenção Primária à Saúde; Hospitalização/economia; Readmissão do Paciente/economia; Serviços de Saúde; Síndrome Coronariana Aguda; Fatores Socioeconômicos. 1. Oliveira LMSM, Costa IMNBC, Silva DG, Barreto Filho JA, Almeida Santos MA,Oliveira JM,etal.Reinternaçãodepacientescomsíndromecoronariana aguda e seus determinantes. Arq Bras Cardiol. 2019;113(1):42-9. 2. Cecilio LCO, Andreazza R, Carapinheiro G, Araujo EC, Oliveira LA, Andrade MG,etal.Aatençãobásicaàsaúdeeaconstruçãodasredestemáticasdesaúde: qual pode ser o seu papel? Ciênc saude coletiva. 2012;17(11):2893-901. 3. Starfield B. Atenção Primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: Unesco, Ministério da Saúde; 2002. 4. Brasil. Leis, etc. Lei n.8080 de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília (DF), 1990. Referências DOI: https://doi.org/10.36660/abc.20190817 574
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