ABC | Volume 114, Nº2, Fevereiro 2020

Editorial Cardiologia Nuclear em 2020 – Perspectivas da Nova Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia Nuclear Cardiology in 2020 – Perspectives of the New SBC Guideline Cláudio Tinoco Mesquita, 1, 2 Wilter dos Santos Ker, 2 Jader Cunha de Azevedo 1,3 Departamento de Radiologia – Hospital Universitário Antônio Pedro – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Universidade Federal Fluminense (EBSERH–UFF), 1 Niterói, RJ – Brasil Hospital Pró-Cardíaco, 2 Rio de Janeiro, RJ – Brasil Serviço de Medicina Nuclear – Hospital Universitário Clementino Fraga Filho–Universidade Federal do Rio de Janeiro (HUCFF–UFRJ), 3 Rio de Janeiro, RJ – Brasil Correspondência: Cláudio Tinoco Mesquita • Hospital Universitário Antônio Pedro – Setor de Medicina Nuclear – Av. Marquês de Paraná, 303/2o andar. CEP 24030-210, Centro, Niterói, RJ – Brasil E-mail: claudiotinocomesquita@id.uff.br Palavras-chave Doença da Artéria Coronária/diagnóstico por imagem; Imagem de Perfusão Miocárdica/métodos; Prognóstico; TecnologiaBiomédica/tendências; TomografiaComputadorizada por Tomografia de Emissão de Pósitrons/tendências; Tomografia Computadorizada de Emissão de Foton Único/métodos. DOI: https://doi.org/10.36660/abc.20190874 To get to know, to discover, to communicate. François Arago A frase do físico francês François Arago é uma das mais poderosas sínteses da atividade científica, que se inicia com a busca do conhecimento existente, se segue da descoberta de novas informações e culmina com a comunicação destas em ato contínuo. Este fluxo é fundamental para que o progresso científico alcance e transforme a sociedade. Deste modo, na área médica, as diretrizes são consideradas essenciais para organização e norteamento de condutas e de conhecimentos de forma estruturada e dentro de método preestabelecido. A elaboração de diretrizes atualizadas e consistentes é uma das tarefas mais importantes de uma sociedade de especialidade médica e envolve um esforço considerável de múltiplos especialistas no campo do conhecimento, revisores, diagramadores, entre outros. Além de tarefa laboriosa e complexa, a elaboração de recomendações tem contra si o fluxo ininterrupto de publicações que surgem todos os dias e que podem mudar o estado atual do conhecimento. Devemos destacar a amplitude, a atualidade e a extensa aplicabilidade dessa Diretriz de Cardiologia Nuclear 1 elaborada em conjunto pela Área de Cardiologia Nuclear do Departamento de Ergometria, Exercício, Cardiologia Nuclear e Reabilitação Cardiovascular (DERC), pelo Departamento de Imagem Cardiovascular (DIC) da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e pela Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN). Em pouco mais de uma década, o manejo da doença arterial coronariana (DAC) crônica passou por uma modificação paradigmática em direção ao tratamento clínico otimizado que consistentemente reduz a progressão da aterosclerose e previne trombose e síndrome coronariana aguda. 2 A revascularização miocárdica é indicada em casos agudos, naqueles de mais alto risco e empacientes cujos sintomas sejam progressivos ou refratários ao tratamento medicamentoso. 3,4 A Diretriz em Cardiologia Nuclear da SBC se une à Diretriz de Síndrome Coronariana Crônica, reforçando a importância dos métodos funcionais no diagnóstico da etiologia dos sintomas dos pacientes com suspeita de DAC, na identificação dos pacientes de maior risco, na tomada de decisão terapêutica e no acompanhamento da resposta ao tratamento. 4 A dúvida se a revascularização miocárdica deva ser a estratégia inicial de manejo nos pacientes comDAC crônica e isquemiamoderada a grave 5 parece ter sido respondida com a apresentação do estudo ISCHEMIA, que não demonstrou benefício da revascularização de rotina, quando adicionada ao tratamento medicamentoso otimizado. 6 Entretanto, destacamos o papel da revascularização com relação à melhora de sintomas e de qualidade de vida, o que reforça a importância da tomada de decisão compartilhada e individualizada nos pacientes que se mantêm sintomáticos a despeito do tratamento clínico otimizado. É importante ressaltar que diversas situações excluídas do estudo ISCHEMIA são contempladas em detalhes no texto da Diretriz de Cardiologia Nuclear 1 São elas: pacientes com lesão de tronco de coronária, síndrome coronariana aguda recente, angioplastia nos últimos 12 meses, fração de ejeção < 35% e com sintomas progressivos ou instáveis. É importante ressaltar que a Cardiologia Nuclear não se restringe apenas ao estudo da doença coronariana, mas passou por uma revolução nos últimos anos, com avanços nos equipamentos, softwares e traçadores que a tornam importante no manejo de diversas condições para as quais o cardiologista não dispunha anteriormente de ferramentas para atender suas necessidades. A Diretriz de Cardiologia Nuclear 1 faz uma abordagem compreensiva e prática destas novas aplicações para o cardiologista. Na Figura 1 apresentamos algumas das novas aplicações em que a Cardiologia Nuclear tem importante significado prático. Entre as novas aplicações da Cardiologia Nuclear destacamos o uso da tomografia computadorizada por emissão de pósitrons (PET-CT) com 18-fluorodesoxiglicose ( 18 F-FDG) e da cintilografia com leucócitos marcados. Estas foram as técnicas de medicina nuclear incluídas nos algoritmos e consensos internacionais de investigação de endocardite infecciosa em próteses valvares e na suspeita de 196

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