ABC | Volume 114, Nº1, Janeiro 2020

Minieditorial Póvoa Calcificação aórtica e padrão non-dipper Arq Bras Cardiol. 2020; 114(1):118-119 magnética, verificaram que a pressão sistólica elevada no sono estava associada com doença cerebral subclínica. 10 No estudo de Adar A et al., 11 verificaram que os pacientes que apresentavam calcificação do arco aórtico, na simples radiografia de tórax realizada na rotina, tinham uma associação com o padrão non-dipper na MAPA. 11 Os autores partiram da detecção de uma lesão em órgão-alvo, a aterosclerose de aorta, em um exame usual de rotina, para procurar alterações da fisiologia da pressão arterial e eventualmente diagnosticar ou corrigir outros problemas. Esta relação é importante, pois podemos rastrear toda calcificação de arco aórtico, a procura dos non-dippers e assim tipificar melhor o comportamento da hipertensão arterial. A radiografia de tórax, utilizada emdiversas situações clínicas, é um exame barato, prático e quando realizada por algum motivo pode também servir de rastreador de um indivíduo non-dipper , como foi demostrado neste estudo. Isto pode ser benéfico ao paciente, pois são frequentes as causas secundárias de hipertensão, inclusive a apneia obstrutiva do sono. A justificativa fisiopatológica desta relação, da calcificação do ardo aórtico com a não redução da pressão no sono, ainda é desconhecida. Os autores evocam a relação desta calcificação com a calcificação da glândula pineal e a redução da melatonina, a qual tem um papel importante na regulação do sono. 12 Além disso, ainda participa na regulação autonômica com uma maior acentuação do sistema parassimpático com efeitos vasodilatadores diretos, e com isso, reduzindo a pressão arterial. 13 O encontro de calcificação no arco aórtico permitindo o diagnóstico da presença de aterosclerose modifica de imediato o risco cardiovascular, onde os cuidados clínicos devem ser mais intensos e assim melhorar nossa prática clínica. Apesar de não termos ainda ensaios clínicos robustos avaliando a cromoterapia, e a influência dos fármacos anti- hipertensivos no padrão non-dipper , é racional e intuitivo que isso deva ser feito, quando não se encontra uma causa objetiva para a não redução da pressão no sono. Nos hipertensos, a mudança no horário da medicação pode modificar o padrão de descenso noturno e possivelmente beneficiar o paciente. 14,15 Um controle adequado da pressão nas primeiras horas da manhã significa o uso de fármacos com uma cobertura correta nas 24 horas, entretanto alguns não proporcionam esta ação. A mudança no horário de tomada de algum fármaco em especial para o período da tarde pode proporcionar um comportamento da pressão mais próximo do ritmo circadiano normal. Ainda temos uma longa estrada na avaliação do comportamento da pressão arterial, porém alguma luz já está surgindo em desvendar os mecanismos implicados nesta rede complexa da etiologia da doença hipertensiva. 1. Brasil. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2018. Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. [Acesso em 2019 maio 13] Disponível em :https://portalarquivos2.saude.gov.br/ images/pdf/2019/julho/25/vigitel-brasil-2018.pdf 2. 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