ABC | Volume 114, Nº1, Janeiro 2020
Minieditorial Condições Cardiovasculares de Pacientes em Tratamento para HIV Cardiovascular Conditions of Patients on HIV Therapy Alfredo José Mansu r Instituto do Coração - Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - Cardiologia Clínica - Ambulatório Geral, São Paulo, SP – Brasil Minieditorial referente ao artigo: Biomarcadores Inflamatórios e Espessura Carotídea em Pacientes Infectados pelo HIV em Terapia Antirretroviral, com Carga Viral de HIV-1 Indetectável e Baixo Risco Cardiovascular Correspondência: Alfredo José Mansur • Av. Dr. Eneas de Carvalho Aguiar 44. CEP 05403-000, São Paulo, SP – Brasil E-mail: ajmansur@cardiol.br , ajmansur@incor.usp.br Palavras-chave HIV; Infecções por HIV; Doenças Cardiovasculares; Terapia Antirretroviral; Fatores de Risco; Doenças das Artérias Carótidas; Aterosclerose; Epidemiologia. DOI: https://doi.org/10.36660/abc.20190810 A terapia anti-infecciosa bem-sucedida de pacientes submetidos ao tratamento contemporâneo do HIV reduziu a mortalidade em 51% entre 2007 e 2017, em associação com uma diminuição de 17% na incidência; uma redução na mortalidade associada a uma menor redução na incidência significa mais pessoas vivendo com a doença causada pelo HIV. 1 No Brasil, a taxa anual de mudança na mortalidade foi de -1,2% (-1,4% a -1,0%). 2 Em muitos países, a taxa de sobrevivência dos pacientes aumentou. 3 Portanto, outras doenças não-infecciosas, como doenças cardiovasculares prevalentes, chamaram a atenção dos médicos responsáveis pelos pacientes. 4 A prevenção é uma das bases dos cuidados de saúde dos pacientes. Os pacientes em tratamento bem-sucedido do HIV podem sofrer condições assintomáticas ou sintomáticas que podem ser fatores de risco para doenças cardiovasculares 5 ou apresentar anormalidades metabólicas 6 que precisam de atenção médica. Além disso, novas tecnologias foram estudadas a fim de investigar mais profundamente a saúde vascular, como triagem ou ferramenta diagnóstica ou estratégias de tratamento. 3 Estudos anteriores foram realizados em populações brasileiras de diferentes regiões geográficas. A mediana da espessura da íntima-média da carótida foi de 0,54 (0,49, 0,62) mm em 535 pacientes infectados pelo HIV no Rio de Janeiro, 0,58 (0,52, 0,68) mm em 88 controles saudáveis e 0,57 (0,49, 0,70) mm em 10.943 participantes de uma grande coorte; as diferenças não foram significativas após o ajuste para variáveis de confusão. 7 No estado do Paraná, em uma amostra de 538 pacientes, foi diagnosticada hipertensão em 24,4%, hipercolesterolemia em 18,2%, HDL-colesterol baixo em 39,7%, hipertrigliceridemia em 51,3% e glicemia sérica alta em 33,3% dos pacientes. 5 No estado de Minas Gerais, o estudo de uma amostra transversal de 133 pacientes em comparação com 20 controles saudáveis demonstrou que a resistência à insulina era mais comum entre os pacientes infectados e sugeriu o índice do Produto da Acumulação Lipídica como um novo biomarcador de risco cardiovascular em pacientes com HIV. 8 Na edição atual dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Leite et al., 9 relatam uma experiência brasileira adicional em Recife, estado de Pernambuco. Eles avaliaram uma amostra de conveniência de 99 pacientes assintomáticos com baixo risco cardiovascular e níveis plasmáticos indetectáveis de RNA do HIV em pacientes recebendo tratamento para HIV em comparação com 16 controles para um conjunto de biomarcadores inflamatórios - IFN- γ , TNF- α , IL-1 β , IL-6, sVCAM-1 e sICAM-1 e espessura íntima-média da carótida. Após análise multivariada, eles encontraram uma associação significativa entre TNF- α e IL-1 β com o risco de maior espessura íntima-média da carótida em pacientes infectados pelo HIV. Eles reproduziram os achados negativos de nenhuma diferença em relação à espessura íntima‑média da carótida entre os grupos de estudo. Esses achados contribuem para a avaliação de pacientes em terapia bem‑sucedida do HIV e enfatizam novamente as realizações do atendimento clínico abrangente contemporâneo dos pacientes, provavelmente incluindo o aconselhamento terapêutico de fatores de risco cardiovasculares, como tabagismo, hipertensão, dislipidemia e diabetes. 98
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