ABC | Volume 114, Nº1, Janeiro 2020
Artigo Original Biomarcadores Inflamatórios e Espessura Carotídea em Pacientes Infectados pelo HIV em Terapia Antirretroviral, com Carga Viral de HIV-1 Indetectável e Baixo Risco Cardiovascular Inflammatory Biomarkers and Carotid Thickness in HIV Infected Patients under Antiretroviral Therapy, Undetectable HIV-1 Viral Load, and Low Cardiovascular Risk Kaliene Maria Estevão Leite, 1 Gerson Gomes Santos Júnior, 1 Emmanuelle T. A. M Godoi, 1 Adriana Ferraz Vasconcelos, 1 Virgínia Maria Barros Lorena, 1 Paulo Sérgio Ramos Araújo, 1,2 Kledoaldo Oliveira Lima , 1 H eloisa Ramos Lacerda 1 Universidade Federal de Pernambuco - Pós-Graduação em Medicina Tropical, 1 Recife, PE – Brasil Instituto de Pesquisa Aggeu Magalhães, 2 Recife, PE – Brasil Correspondência: Kledoaldo Oliveira Lima • Universidade Federal de Pernambuco - Av. Prof. Moraes Rego, s/n. CEP 50670-901, Cidade Universitária, Recife, PE – Brasil E-mail: kledoaldo@gmail.com Artigo recebido em 01/09/2018, revisado em 18/02/2019, aceito em 10/03/2019 DOI: 10.5935/abc.20190230 Resumo Fundamento: As pessoas que vivem com HIV têm um risco aumentado de doença cardiovascular e espessamento da carótida, devido à inflamação causada pelo vírus, à terapia antirretroviral e a outros fatores de risco. No entanto, poucos estudos observaram a ocorrência de doenças cardiovasculares e espessamento carotídeo na população soropositiva com baixo risco cardiovascular e carga viral indetectável. Objetivos: Avaliar a associação entre níveis de marcadores inflamatórios e espessura da carótida em pessoas vivendo com HIV, sob terapia antirretroviral e com baixo risco cardiovascular. Métodos: Para determinar o baixo risco cardiovascular em ambos os grupos (indivíduos infectados e não-infectados pelo HIV), foi utilizado o Escore de Risco de Framingham. Os marcadores inflamatórios (IFN- γ , TNF- α , IL-1 β , IL-6, sVCAM-1 e sICAM-1) foram avaliados por citometria de fluxo. A espessura da carótida (mm) foi mensurada por meio de ultrassom com Doppler. O nível de significância foi de p < 0,05. Resultados: Em pessoas vivendo com HIV, a idade e o tabagismo foram associados a alterações da espessura da carótida. No grupo não-HIV, idade e níveis mais altos de colesterol total e LDL foram associados ao aumento da espessura da carótida. Utilizando a análise multivariada, observou-se associação significativa entre os níveis de TNF- α e IL-1 β e maior chance de desenvolvimento de aterosclerose no grupo com HIV. Conclusão: Ambos os grupos têm risco semelhante de desenvolver doença cardiovascular, portanto, nosso estudo demonstra que indivíduos HIV-positivos com carga viral indetectável em terapia antirretroviral sem inibidores de protease e com baixo risco cardiovascular não apresentam diferenças na espessura da carótida em relação aos indivíduos não-infectados. (Arq Bras Cardiol. 2020; 114(1):90-97) Palavras-chave: HIV; Infecções por HIV; Doenças Cardiovasculares; Terapia Antirretroviral; Fatores de Risco; Doenças das Artérias Carótidas; Aterosclerose. Abstract Background: People living with HIV are at increased risk of cardiovascular disease and carotid thickness, due to the inflammation caused by the virus, the antiretroviral therapy, and other risk factors. However, few studies have observed the occurrence of cardiovascular diseases and carotid thickness in HIV-positive population at low cardiovascular risk and with undetectable viral load. Objectives: To evaluate the association between levels of inflammatory markers and carotid thickness in people living with HIV, under antiretroviral therapy and at low cardiovascular risk. Methods: To determine low cardiovascular risk in both groups (HIV infected and non-infected individuals), the Framingham Risk Score was used. Inflammatory markers (IFN- γ , TNF- α , IL-1 β , IL-6, sVCAM-1, and sICAM-1) were assessed using flow cytometry. Carotid thickness (mm) was measured using Doppler ultrasound. Level of significance was p < 0.05. Results: In People living with HIV, age and smoking status were associated with carotid thickness alterations. In the non-HIV group, age, higher total cholesterol, and LDL levels were associated with increased carotid thickness. Using the multivariate analysis, a significant association between TNF- α and IL- 1 β levels, and a higher chance of atherosclerosis development in HIV group were observed. Conclusions: Both groups have a similar risk for developing cardiovascular disease, therefore our study demonstrates that HIV-positive individuals with undetectable viral load in antiretroviral therapy without protease inhibitors and with low cardiovascular risk do not present differences in carotid thickness in relation to uninfected individuals. (Arq Bras Cardiol. 2020; 114(1):90-97) Keywords: HIV; HIV Infections; Cardiovascular Diseases; Antiretroviral Therapy; Risk Factors; Caroti Artery Diseases; Atherosclerosis. Full texts in English - http://www.arquivosonline.com.br 90
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