ABC | Volume 113, Nº5, Novembro 2019

Minieditorial Um Cateter, Duas Coronárias. Já não Vimos isso Antes? One Catheter, Two Coronaries. Haven’t We Seen This Before? Cesar Rocha Medeiros 1,2, 3 Instituto Nacional de Cardiologia, 1 Rio de Janeiro, RJ – Brasil Hospital Badim, 2 Rio de Janeiro, RJ – Brasil Hospital Unimed, 3 Rio de Janeiro, RJ – Brasil Minieditorial referente ao artigo: Impacto da Estratégia de um Cateter com Cateter TIG I no Desempenho da Coronariografia por Cateterismo e Custos Econômicos Correspondência: Cesar Rocha Medeiros • Av. Lúcio Costa, 3360/5/406. CEP 22630-010, Barra da Tijuca, RJ – Brasil E-mail: cr.medeiros@terra.com.br Palavras-chave Angiografia Coronária; Doença da Artéria Coronariana; Cateterismo Cardíaco/métodos; Cateteres Cardíacos; Doses de Radiação. DOI: https://doi.org/10.36660/abc.20190684 O acesso radial é o padrão para a coronariografia diagnóstica em muitos centros e, de acordo com o consenso mais recente, deveria ser em todos. 1 Por mais de 60 anos, a coronariografia foi realizada através de várias técnicas. Uma delas, ironicamente, a primeira, utilizando apenas um cateter para canular as duas coronárias e entrar no ventrículo esquerdo. Com o advento de cateteres mais finos, melhores imagens e meios de contraste menos tóxicos, passamos a ter procedimentos mais seguros, mais rápidos e menos invasivos. O cateter escolhido para a comparação específica deste estudo é um dos muitos adequados para canular as duas coronárias quando uma anatomia amigável está presente. 2 A lista inclui o Multipurpose, Amplatz left, Sones tipo II e outros. Esses cateteres são capazes de, na maioria dos pacientes, conseguir o acesso das coronárias de maneira coaxial, permitindo uma angiografia de boa qualidade. No artigo atual, os autores comparam uma forma particular de cateter (Tiger 1), com os cateteres padrão dedicados para dar acesso a cada coronária (Judkins direito e esquerdo), originalmente feito para abordagem femoral, mas amplamente adaptado para acesso radial. O objetivo principal foi mostrar que, utilizando um único cateter, os operadores poderiam reduzir a quantidade do meio de contraste; reduzindo também tempo de procedimento, radiação, desconforto do paciente e custos. Os autores demonstraram que, com o uso de um único cateter, era necessário menos contraste, o tempo de fluoroscopia era menor, havia menor espasmo e o custo dos procedimentos era menor. Uma abordagem por cateter único tem a vantagem óbvia de menor troca de cateteres e, consequentemente, menor manipulação da trajetória arterial, o que pode ser responsável por menos espasmos e mais conforto para o paciente. Também é esperado que o tempo de procedimento diminua, e isso foi demonstrado indiretamente no artigo, utilizando o tempo de fluoroscopia. Essas hipóteses foram testadas e comprovadas antes, 3,4 mas o artigo atual nos traz uma informação extra preciosa, uma vez que estabelece o preço do procedimento no ambiente de nosso país e mostra que uma abordagem de cateter único reduz custos quando comparada à de dois cateteres. O impacto da redução de custos em um país pobre, onde o sistema público de saúde apresenta sérios problemas, é primordial e deve ser incentivado. Por esse motivo, os resultados deste estudo devem ser publicados e deve-se tentar reproduzi-lo em maior escala. É importante dizer que esses dados derivam de análises retrospectivas realizadas em um único centro com operadores radiais experientes. E mesmo nesse cenário mais selecionado, uma abordagemde cateter único foi utilizada emmenos de 15% dos procedimentos. A extrapolação dessas informações deve ser feita com cautela, antes de recomendar uma abordagem de cateter único para todas as coronariografias radiais. Mas, mesmo assim, o Dr. Mason Sones continua liderando o caminho, 60 anos depois. 1. Hamon M, Pristipino C, Di Mario C, Nolan J, Ludwig J, Tubro M, et al. Consensusdocumentontheradialapproach inpercutaneouscardiovascular interventions: Position paper by the European Association of Percutaneous Cardiovascular Interventions and Working Groups on Acute Cardiac Care and Thrombosis of the European Society of Cardiology. EuroIntervention 2013;8(11):1242–51. 2. Costa-Mateu J, Fernández-Rodríguez D, Rivera K, Casanova J, Irigaray P, Zielonka M, et al. Impacto da Estratégia de um Cateter com Cateter TIG I noDesempenho da Coronariografia por Cateterismo e Custos Econ micos. Arq Bras Cardiol. 2019; 113(5):960-968. 3. Xanthopoulou I, Stavrou K, Davlouros P , Tsigkas G, Koufou E, Almpanis G, et al. RandomizedcomparisonofJUDkinsvstiGErcatheterincoronaryangiographyvia therightra dialartery:theJUDGEstudy.EuroIntervention2 018;13(16):1950-8. 4. Langer C, Riehle J, Wuttig H, Durrwald S, Lange H, Samol A, et al. Efficacy of a one-catheter concept for transradial coronary angiography. PLoS One 2018;13(1):e0189899. Referências Este é um artigo de acesso aberto distribuído sob os termos da licença de atribuição pelo Creative Commons 969

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