ABC | Volume 113, Nº4, Outubro 2019

Artigo Original Cruz et al. Valvoplastia mitral em pacientes pediátricos Arq Bras Cardiol. 2019; 113(4):748-756 Tabela 3 – Descrição dos desfechos imediatos e tardio (e desfechos combinados) de 54 crianças e adolescentes portadores de insuficiência mitral reumática submetidos à plastia mitral Variáveis n (%) Desfecho imediato (n = 54) Nenhum 37 (68,6) ICC 01 (1,9) Sepse 01 (1,9) Lesão mitral* 04 (7,4) Outros 04 (7,4) Sangramento e outros 02 (3,7) ICC e lesão mitral* 01 (1,9) Outros e ICC 01 (1,9) Lesão mitral* e outros 02 (3,7) Lesão mitral* e sangramento 01 (1,9) Desfecho tardio (n = 54) Nenhum 38 (70,4) ICC 01 (1,9) Reoperação/troca valvar (até 30 dias) 03 (5,6) Lesão mitral* 11 (20,4) Outros 01 (1,9) *lesão mitral: estenose mitral e/ou insuficiência mitral residual; n: número de participantes; ICC: insuficiência cardíaca congestiva. ejeção pós-operatória teve redução quando comparada à pré‑operatória, 54,8±13,9% e 70,2±8,5%, respectivamente, com valor de p < 0,05. Quanto à dilatação de câmeras esquerdas, 98% dos pacientes apresentavam no pré-operatório e 87%, no pós-operatório. Essa redução apresentou p = 0,063, demonstrando tendência à significância. Entre as alterações valvares descritas na Tabela 2, a insuficiência aórtica moderada ou importante esteve presente em 13 (26,5%) pacientes no pré-operatório. Já no pós‑operatório, apenas 8 (21,1%) apresentavam insuficiência aórtica, porém sem significância estatística (p = 1,000). A IM moderada ou importante esteve presente em 48 (98%) pacientes no pré-operatório na forma moderada ou importante. Destes, nenhum paciente teve piora da IM e 6 (15,8%) pacientes mantiveram IMmoderada ou importante no pós-operatório (p < 0,001). A HP esteve presente em 38 (77,6%) pacientes no pré‑operatório e em apenas 7 (18,4%) no pós-operatório. Nenhum paciente evoluiu com HP, ou piora desta, no pós‑operatório. Em contrapartida, 31 (81,6%) participantes que tinham HP no pré-operatório não apresentaram no pós‑operatório (p < 0,001). Análise e descrição dos desfechos A presença de desfechos na amostra foi dividida emdesfechos no pós-operatório imediato (até 7 dias) e no pós-operatório tardio (até 60 dias), demonstrada na Tabela 3. Dezessete pacientes apresentaramdesfecho no pós-operatório imediato, sendo omais frequente a lesão mitral (estenose e/ou insuficiência residual), estando presente em 8 (14,8%) pacientes. No pós-operatório tardio, 16 tiveram desfechos, sendo novamente a lesão mitral a mais comum, em 11 (20,4%) pacientes. A comparação entre o uso de medicações no pré-operatório e na alta, com os desfechos, não apresentou significância estatística, independentemente da combinação utilizada. As variáveis que apresentaram relação com a presença de desfecho no pós-operatório tardio foram o tempo de CEC e tempo de anóxia, ambas com p < 0,05. Idade, peso, estatura, sexo, procedência, acompanhamento ambulatorial, tempo de doença até a cirurgia, classe funcional, equipe cirúrgica, eventos na cirurgia e tempo de extubação não tiveram relação estatisticamente comprovadas. Quando estudadas as variáveis do ecocardiograma no pós‑operatório imediato e tardio, como apresentado na Tabela 4, identifica-se como estatisticamente significante a relação da presença de desfechos com IM, IT e HP. No ecocardiograma pré-operatório não foram encontradas relações com desfechos de significância estatística. Variáveis preditoras As variáveis preditoras são apresentadas na Tabela 5. No modelo final foi encontrado como preditor independente para o desfecho imediato a variável tempo de uso de DVA, apresentando OR 2,5 (IC95% 1,3–4,9), enquanto para o desfecho tardio não foi encontrado nenhum preditor independente. O tempo de CEC se aproximou à significância estatística. Discussão A PM é uma técnica universalmente aceita como superior à troca valvar (biopróteses ou próteses metálicas), principalmente em crianças nas quais crescimento, problemas com a anticoagulação, tromboembolismo, rápida degeneração da valva, maior risco de endocardite e menor preservação da função ventricular são fatores desfavoráveis a essa técnica. 6-8,10-12 No hospital terciário no qual o estudo foi realizado, a PM é a técnica preferencialmente utilizada. Os pacientes do estudo foram acompanhados por dois meses após a realização da PM e, nesse período, não houve óbito na amostra estudada. Tal dado está em conformidade com a literatura, na qual a taxa de mortalidade precoce ou hospitalar variou de 0,9 a 3,5%. 7,12,13 A literatura carece em estudos que identifiquem prováveis preditores clínicos de desfechos negativos em pacientes submetidos à cirurgia pela técnica de PM. No presente estudo, a HP apresentou significância estatística tanto para desfechos no pós-operatório imediato (≤7 dias) quanto no tardio (até 60 dias), na análise univariada, porém não manteve significância na análise multivariada. Em seu estudo com 122 reparos mitrais, Kim et al., 14 após análises univariadas e multivariadas, encontraram nos seus resultados a presença de hipertensão pulmonar pré‑operatória como o único fator de risco independente para morte (HR: 3,75 95%; IC: 1,21–11,57; p = 0,022), porém este estudo foi realizado em adultos com idade média de 48,9 ± 11,5 anos. A diferença do nosso 752

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