ABC | Volume 113, Nº4, Outubro 2019
Atualização Atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019 Arq Bras Cardiol. 2019; 113(4):787-891 10. Doenças Associadas, Fatores Socioeconômicos e Ambientais na Prevenção Cardiovascular 10.1. Introdução No último século, a humanidade passou por uma transição epidemiológica com relação às causas de óbito, as doenças infectocontagiosas deixaram de ser a primeira causa de óbito e deram lugar às doenças crônico-degenerativas, principalmente as DAC. Apesar de ainda serem as principais causas de mortalidade em todo o mundo, a partir do final da década de 1950, iniciou-se um declínio da mortalidade por DAC nos países industrializados. No Brasil esta queda da mortalidade por DAC começou a ser observada nos últimos anos da década de 1970, com significativa redução destas taxas de mortalidade, apesar de importantes diferenças regionais. 2,440,441 Não é possível atribuir a redução da mortalidade por DAC apenas ao melhor controle dos fatores de risco clássicos CV, como diabetes, HA, obesidade, dislipidemia e tabagismo, pois todos esses, com exceção do tabagismo, apresentaram aumento de prevalência nas últimas décadas. O que fez surgir novos conceitos sobre fatores de risco ocupacionais, comportamentais e ambientais, que são diretamente influenciados por condições socioeconômicas das populações e apresentam importante relação com as causas de mortalidade. Nesse capítulo descreveremos importantes condições associadas com o aumento do risco CV que necessitam de avaliação concomitante com os fatores de risco CV clássicos, quando se pretende abordar as DCV como uma complexa relação entre os pacientes e o contexto em que vivem. 10.2. Fatores Socioeconômicos e Risco Cardiovascular As condições de saúde das populações são influenciadas de forma complexa por determinantes sociais, como distribuição de renda, riqueza e educação. Esses indicadores funcionam como fatores de risco interdependentes para a ocorrência de doenças. Relações entre taxas de mortalidade e nível socioeconômico já foram evidenciadas no Brasil e em outros países, demonstrando relação inversa, ou seja, baixos níveis socioeconômicos estão relacionados a elevadas taxas de mortalidade. Essas relações entre reduções nas taxas de mortalidade, em especial com as mortes por doenças do aparelho circulatório (DApC), e melhora nos indicadores socioeconômicos apresentam elevada correlação entre si. Vários estudos prospectivos demonstraram que baixo nível socioeconômico, definido como baixo nível educacional, baixa renda, um emprego de baixo status, ou viver em áreas residenciais mais pobres, tem contribuído para o aumento de todas as causas de morte, bem como do risco de mortalidade por DAC. 9,442-446 O baixo nível socioeconômico, quando definido como um fator de risco CV independente, demonstrou conferir um risco aumentado de DAC; com RR de mortalidade entre 1,3 e 2,0. 445,447 Nos períodos temporais em que houve redução nas taxas de mortalidade por DApC foram precedidos de períodos com melhora em indicadores socioeconômicos. No Brasil, entre as décadas de 1930 a 1980, ocorreu grande crescimento econômico que, apesar da concentração de renda, possibilitou melhorias educacionais, sanitárias, econômicas e de infraestrutura, com redução de doenças infecciosas e de processos inflamatórios. Em países desenvolvidos, o declínio da mortalidade por DAC iniciou-se pouco mais de uma década após o término da Segunda Guerra Mundial, que sucedeu a grande depressão ocorrida no início da década de 1930 e a pandemia de influenza de 1918. No Brasil, esse Quadro 9.4 – Práticas em espiritualidade e saúde. Classes de recomendação e níveis de evidência Recomendação Classe de recomendação Nível de evidência Referência Rastreamento breve de espiritualidade e religiosidade I B 388-391,429 Anamnese espiritual de pacientes com doenças crônicas ou de prognóstico reservado I B 386,387,393,429,432 Respeitar e apoiar religiões, crenças e rituais pessoais do paciente que não sejam prejudiciais ao tratamento I C 361,365,366, 384 Suporte por profissional capacitado aos pacientes em sofrimento ou com demandas espirituais I C 361,365,366,393 Religiosidade Organizacional associa-se a redução de mortalidade I B 370,371,373,375 Programa hospitalar de treinamento em espiritualidade e religiosidade IIa C 365,438 Anamnese espiritual de pacientes estáveis ou ambulatoriais IIa B 384,386,387 Questionários DUREL, FICA, HOPE, ou FAITH para avaliar espiritualidade IIa B 380,386,393,394 Meditação, técnicas de relaxamento e combate ao estresse IIa B 406,424-426 Espiritualidade e religiosidade potencialmente aumentam sobrevida IIa B 370,371,373,375 Técnicas de fortalecimento espiritual como perdão, gratidão e resiliência IIb C 412,413,417-420 Avaliar espiritualidade e religiosidade nos pacientes em situações agudas e instáveis III C 384,387,439 Prescrever orações, práticas religiosas ou denominação religiosa específica III C 365,381,382 845
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