ABC | Volume 113, Nº3, Setembro 2019
Minieditorial Aspectos do Tratamento não Farmacológico em Doença Arterial Periférica Aspects of Non-Pharmacological Treatment in Peripheral Arterial Disease Maria Janieire de N. Nunes Alve s e Francis Ribeiro de Souza Instituto do Coração (InCor), Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), São Paulo, SP – Brasil Minieditorial referente ao artigo: Níveis de Atividade Física Em Pacientes Com Doença Arterial Periférica Correspondência: Maria Janieire de N. Nunes Alves • Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 44 Jardim América - São Paulo, SP – Brasil E-mail: janieire.ja@gmail.com Palavras-chave Doença Arterial Periférica/fisiopatologia; Doença Arterial Periférica/drug theray; Idoso; Claudicação Intermitente; Índice Tornozelo-Braço; Exercício; Prevenção e Controle. DOI: 10.5935/abc.20190208 A doença arterial periférica (DAP) é uma das principais doenças ateroscleróticas na população idosa 1 que limita à realização de atividade física. Pacientes com DAP que apresentam claudicação intermitente podem apresentar um comprometimento da marcha, que compromete as atividades da vida diária. 2 Além disso, esses pacientes apresentam outras comorbidades que podem aumentar o risco cardiovascular. 1,3 A prática regular de exercício físico é um tratamento não medicamentoso recomendado para prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares. Por outro lado, manter a adesão a um programa de treinamento físico se torna um grande desafio. O estudo em questão, 4 expõe o padrão de atividade física de pacientes com DAP, e demonstra a alta taxa de sedentarismo com o envelhecimento. De fato, a própria doença leva a limitação física, o que por sua vez é também, um fator de piora da doença, haja vista que a recomendação de atividade física vigorosa tem efeitos terapêuticos que contribuem, adicionalmente ao uso crônico de drogas vasodilatadoras arteriais. Além disso, a vasodilatação arterial crônica decorrente do uso de medicamentos, pode trazer redução do fluxo periférico à longo prazo, uma vez que a vasodilatação arterial promovida pela medicação reduz, ainda mais, a pressão de perfusão na musculatura periférica de membros inferiores e, que intensifica o baixo nível de atividade física em pacientes com DAP, de acordo com recomendações atuais de atividade física. A avaliação do grau de atividade física foi realizada por um dispositivo, durante um período de 7 dias, e os dados são relevantes em classificar o grau de limitação física com o avançar da idade, bem como, demonstraram também, a significância do sedentarismo, que pode corroborar para agravar ainda mais a doença e o risco cardiovascular. Por outro lado, o dispositivo não avalia ou quantifica o treinamento da resistência muscular localizada (força), o que pode subestimar os resultados apontados pelo estudo. É clara, a importância de se elaborar estratégias para que esses pacientes se engajem na prática regular de exercício físico. O principal motivo desses pacientes com DAP não progredirem com o treinamento físico é a dor relacionada ao aumento da demanda energética do músculo, denominada, claudicação intermitente, principalmente na região da panturrilha durante a caminhada. 5 Exercícios físicos de moderada à vigorosa intensidade podem precipitar os sintomas da claudicação intermitente e isso se torna uma barreira para que esses pacientes se envolvam em atividades físicas. Dessa maneira, os exercícios aeróbicos de baixa intensidade e de forma progressiva, podem ser utilizados como estratégia para retardar esses sintomas. Além disso, pacientes com claudicação intermitente apresentam atrofia muscular e a redução da força e resistência muscular nos membros inferiores aumenta a fragilidade desses doentes, principalmente com o avançar da idade. 6 Nesse aspecto, exercícios de força e resistência muscular periférica (musculação) deveriam ser utilizados. Embora a literatura recomende exercícios comcaracterísticas aeróbicas, como a caminhada, como principal modalidade de exercício para esses pacientes com DAP, exercícios de sobrecarga muscular, também tem sido recomendado como parte de um programa de exercício físico nessa população. 7,8 A prática regular de exercício físico deve ser utilizada como ferramenta não farmacológica para o tratamento e prevenção das doenças cardiovasculares em pacientes com DAP e claudicação intermitente, portanto é importante se elaborar um programa de exercícios físicos específicos, principalmente com intuito de retardar o aparecimento dos sintomas de claudicação intermitente, pois, além de prevenir o desencadeamento de dor, a interrupção do exercício, pode ser um fator motivacional que implicará na aderência desses pacientes à prática de atividade física. 417
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