ABC | Volume 113, Nº3, Setembro 2019
Artigo Original Imani et al. Sistema nervoso simpático e cardioproteção Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):401-408 Introdução A doença isquêmica do coração é o principal problema de saúde no mundo. 1 Embora a reperfusão, que se refere ao rápido reestabelecimento do fluxo sanguíneo, seja um dos métodos mais eficazes contra as lesões letais, 2 ela está associada com danos adicionais ao miocárdio. 3 Foram propostos muitos métodos para minimizar os efeitos deletérios das lesões por isquemia/reperfusão (I/R) e aumentar a resistência cardíaca. Combase nesses avanços, a indução de episódios de curto prazo de I/R ou o uso precoce de agentes farmacológicos, ao invés de períodos prolongados de I/R, induz o pré‑condicionamento cardíaco, que pode atenuar a necrose celular e conservar níveis altos de energia com sucesso. 4,5 O sistema nervoso simpático e o eixo hipotálamo-hipófise- adrenal (HHA) são dois sistemas de defesa coordenados. Eles podemmediar a comunicação bidirecional entre cérebro e corpo durante situações de estresse. 6 A ativação do sistema autonômico contribui para as respostas comportamentais em animais e promove a regulação da homeostase e a melhora da resistência. 7 O estresse é caracterizado por uma resposta geral do eixo HHA contra estímulos potenciais e deletérios. 8 De fato, o estresse, através do aumento da atividade do eixo HHA e da liberação de corticosterona, desempenha um papel fundamental na coordenação das funções neuroendócrina, autonômica e comportamental e resulta em respostas adaptativas. 9,10 A ocorrência de estresse aumenta a atividade do sistema nervoso simpático bem como altera a secreção de neurotransmissores. 11 Vários sistemas corporais, tais como os sistemas nervoso, cardiovascular e imunológico são influenciados pelo estresse. Além disso, são observadas alterações significativas nos parâmetros hemodinâmicos, tais como frequência cardíaca (FC) e pressão arterial, durante o estresse, que podem causar doenças do coração. 12 Por outro lado, a liberação de norepinefrina do sistema nervoso simpático aumenta na isquemia letal e contribui para a indução de lesões por I/R através da produção de radicais livres de hidroxila. Este estudo foi elaborado com a finalidade de avaliar o papel do sistema nervoso simpático na mediação da cardioproteção induzida por estresse agudo contra lesões por I/R em corações isolados de ratos. Métodos No total, 32 ratos machos Wistar (200-250 g) foram mantidos em ambiente com ar condicionado, com ciclo de 12h de luz e 12h de escuridão, a uma temperatura de 22 ± 2˚C, com livre acesso a água e comida. Os protocolos experimentais seguidos nesse estudo estão em conformidade com as Diretrizes para o Cuidado e Uso de Animais de Laboratório publicadas pelo National Institutes of Health (NIH publicação no. 85-23, revista em 1996) e foram posteriormente aprovados pelo comitê de ética institucional da Universidade de Ciências Médicas de Tehran (Tehran, Irã). Uma caixa comdispositivo estressor foi usada para exposição ao estresse físico. Ela continha barras de aço inoxidável na parte inferior, ligadas a um dispositivo de eletrochoque através de um cabo de conexão. O estresse físico foi induzido através de choque elétrico nas patas (1mA) por 10 segundos com 50 segundos de intervalos durante 1 hora. Depois disso, os animais foram anestesiados com tiopental sódico (60 mg/kg, i.p) 13 e colocados na prancha cirúrgica. O tórax foi aberto e a sutura de seda 6-0 foi colocada sob a raiz da artéria coronária descendente anterior esquerda (DAE). Finalmente, o coração foi removido do tórax e ligado a um aparelho de perfusão de Langendorff. O coração foi perfundido de forma retrógrada com tampão de bicarbonato de Krebs-Henseleit (em mmol/l): bicarbonato de sódio = 25, cloreto de sódio = 118,5, cloreto de potássio= 4,7, sulfato de magnésio = 1,2, glicose = 11, borbulhada com uma combinação de 95% O 2 e 5% CO 2 (pH = 7,3-7,4, a 37˚C). Depois disso, as extremidades da sutura foram passadas por uma pipeta de plástico para formar um laço para indução da isquemia. A reperfusão foi realizada através da liberação do laço. Um balão de látex foi inserido no ventrículo esquerdo e conectado a um transdutor de pressão (Harvard, March‑Hugstetten, Alemanha), o aparato da Biolab foi usado para o registro das pressões ventriculares. Durante o procedimento cirúrgico, o registro foi feito ao longo de três períodos determinados: 20-30 minutos nos momentos basais (período sem qualquer manipulação), 30 minutos da isquemia local e 120 minutos da reperfusão. Após a reperfusão, a artéria coronária DAE foi ocluída novamente; foi administrado 3mL da solução de azul de Evans a 1,5% para diferenciar a zona isquêmica (a área sob risco; [ASR]) da zona não isquêmica. 14 Após congelado (−20°C por 24 horas), o coração foi cortado em secções paralelas de 2mm e mantido em 2,3,5-cloreto de trifeniltetrazólio (1%) (TTC em tampão fosfato 0,1M, pH 7,4 - Sigma) por 15–20 min a 37°C para separar a zona isquêmica da zona de infarto. 15 Ao final dos experimentos, a razão do tamanho do infarto sobre a área sob risco (TI/ASR %) foi calculada usando o programa Photoshop. Os animais foram alocados em 4 grupos: 1. Grupo IR (n=8): Os ratos forammantidos em caixas com dispositivo estressor (sem exposição ao estresse) durante 1 hora e, em seguida, os corações foram removidos do tórax e submetidos a isquemia e reperfusão. 2. Grupo Estresse agudo (St+IR) (n = 8): Os ratos foram expostos a choques elétricos nas patas na caixa estressora durante 1 hora e, em seguida, os corações foram removidos do tórax e submetidos a isquemia e reperfusão. 3. Grupo Simpatectomia (Symp+IR) (n = 8): a simpatectomia química foi realizada através de injeção de 6 hidroxidopamina (6-OHDA, 100 mg/kg, SC) 24 horas antes da indução da I/R. 16 4. Grupo Simpatectomia-estresse físico (Symp+St+IR) (n = 8): a simpatectomia química foi realizada 24 horas antes do estresse físico e da indução da I/R. Os níveis séricos de corticosterona foram medidos usando o método de ELISA. Além disso, a pressão arterial sistólica foi medida usando uma técnica não-invasiva (Tail Cuff e power lab) para confirmar a simpatectomia química (n = 4). Análise estatística O tamanho da amostra e as divisões dos grupos foram definidos com base em estudos anteriores. 17 Todos os dados foram relatados como média ± DP. A normalidade foi checada por meio do teste de Kolmogorov-Smirnov, software SPSS versão 20. Para comparação dos parâmetros entre os 402
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