ABC | Volume 113, Nº3, Setembro 2019

Atualização Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019 Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):449-663 PCR para todas as causas é considerada como Classe de Recomendação IIb, Nível de Evidência C. 9.2.3. Anafilaxia Trata-se de reação alérgica multissistêmica mediada por imunoglobulinas IgE e IgG e um antígeno imunoglobulina específico que envolve pele, vias aéreas, sistema vascular e trato gastrintestinal. Em casos mais graves, pode promover a obstrução completa e total das vias aéreas, bem como o colapso cardiovascular com choque distributivo grave. 734,735 A urticária costuma ser o achado mais frequente e a rinite, o sinal inicial de envolvimento das vias aéreas; o comprometimento mais grave está associado ao estridor laríngeo e sibilância. 736-738 O choque distributivo anafilático caracteriza-se por vasodilatação e aumento da permeabilidade capilar com redução de pré-carga e hipovolemia relativa de até 37% do volume sanguíneo total que rapidamente pode levar à PCR 739,740 por isquemia miocárdica e ocorrência de arritmias graves. 741-743 Recomendações • A presença de um profissional que saiba manusear as vias aéreas com segurança se faz necessária, incluindo intervenção cirúrgica (Classe de Recomendação I; Nível de Evidência C). • A administração intramuscular de epinefrina deve ser realizada em todos com sinais de reação anafilática: dose de 0,2 a 0,5 mg (1:1.000) por via intramuscular e repetida a cada 5 a 15 minutos na ausência de melhora clínica 744-747 (Classe de Recomendação I; Nível de Evidência C). • Uso de caneta injetora de epinefrina para adultos (0,3 mg) e crianças (0,10 mg): pouco disponível no Brasil, para anafilaxia grave ou PCR (Classe de Recomendação I; Nível de Evidência C). • Reposição volêmica: 1.000 mL de solução cristaloide para manter a PAS de 90 mmHg como estratégia inicial e repetida, se necessário 748 (Classe de Recomendação IIa; Nível de Evidência C). • Se o uso de epinefrina por via intramuscular não for suficiente para estabilização clinica, 749 a via endovenosa para epinefrina (5-15 mcg/min) contínua pode ser alternativa (Classe de Recomendação IIa; Nível de Evidência C). 748-752 • Considerar o uso de vasopressina e o metaraminol em caso de anafilaxia com ou sem PCR 753-757 se não responsivo à epinefrina (Classe de Recomendação IIb; Nível de Evidência C). 9.2.4. Hipotermia Acidental Condição na qual a temperatura central atinge valores inferiores a 35 o C levando a múltiplas disfunções orgânicas progressivas, que, caso não sejam revertidas a tempo, podem evoluir para PCR e óbito. O tratamento consiste em RCP eficiente e reaquecimento. A medida precisa da temperatura central com termômetro bem calibrado é importante na tomada de decisão, porém muitas vezes não está disponível. Termômetros convencionais dispõem da mesma acurácia. Há diversas classificações de hipotermia, mas nas situações em que não se consiga aferir a temperatura, deve-se usar o Swiss Staging System , 722 que se baseia em sinais clínicos (Quadro 9.2). Deve-se suspeitar de hipotermia nos casos de história de exposição ao frio (hipotermia primária) ou na presença de patologia predisponente (hipotermia secundária). Entre as causas secundárias, devemos considerar: anorexia nervosa, transecção medular, AVC, toxinas, cetoacidose diabética, acidose lática, hipoglicemia, entre outras. A abordagem varia de acordo com a apresentação. Inicialmente, devemos buscar e manter sinais vitais, evitar a perda de calor e oferecer reaquecimento. Recomenda-se: • Na hipotermia I (32-35 o C): aquecer o ambiente, usar roupas e cobertas, oferecer a ingestão de bebidas quentes e estimular a movimentação. 723 • Na hipotermia II (28 a 32 o C): restringir movimentos para evitar arritmias e realizar o aquecimento com técnicas minimamente invasivas (fluído aquecido intravenoso, cobertor ou manta térmica, aquecimento do ambiente). 724 • Na hipotermia III (24 a 28 o C), empregar todas medidas acima, além de garantir as vias aéreas de preferência com gases aquecidos. ECMO deve ser considerada no casos refratários. 725,726,727 • Na hipotermia IV (< 24 o C), estando paciente em PCR, deve-se instituir todas as medidas acima e RCP convencional. Deve-se considerar aquecimento de cavidade intratorácica quando ECMO não for disponível. Quadro 9.2 – Classificação de hipotermia ( Swiss staging system ) Grau de hipotermia Classificação Clínica Temperatura Hipotermia I Leve Consciência preservada e tremor 32-35ºC Hipotermia II Moderada Rebaixamento de consciência e ausência de tremor 28-32ºC Hipotermia III Grave Ausência de consciência e presença de sinais vitais 24-28ºC Hipotermia IV PCR ou sinais vitais mínimos < 24ºC Hipotermia V Óbito < 13,7ºC PCR: parada cardiorrespiratória. 525

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