ABC | Volume 113, Nº3, Setembro 2019

Atualização Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019 Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):449-663 Quadro 8.4 – Fatores etiológicos para hemorragia intracerebral Primária Hipertensão arterial crônica Angiopatia amiloide cerebral Secundária Malformações vasculares: - Malformação arteriovenosa - Telangiectasia - Angioma cavernoso - Angioma venoso Aneurismas (saculares, infecciosos, traumáticos e neoplásicos) Coagulopatias: - Coagulopatias primárias: hemofilia A e B, doença de von Willebrand e afibrinogenemia - Coagulopatias secundárias: púrpura trombocitopênica idiopática, coagulação intravascular disseminada, púrpura trombocitopênica trombótica, síndrome HELLP, trombocitopenia em síndromes mieloprolliferativas e mieloma múltiplo - Fármacos antitrombóticos: antiagregantes, anticoagulantes e trombolíticos Tumores cerebrais primários ou metastáticos Vasculopatias: - Vasculites sistêmicas - Vasculite isolada do sistema nervoso central - Outras: sarcoidose, doença de Behçet, doença de Moyamoya, dissecção arterial, vasculite infecciosa e anemia falciforme. Relacionadas a variações bruscas da pressão arterial ou do fluxo sanguíneo cerebral - Fármacos ou drogas com efeito simpatomimético (anfetaminas, efedrina, descongestionantes nasais, cocaína etc.) - Eclampsia - Exposição ao frio - Após estimulação do nervo trigêmeo; picada de escorpião; endarterecetomia ou angioplastia para estenose carotídea crítica; intervenção cirúrgica para cardiopatia congênita; procedimentos cirúrgicos em fossa posterior; transplante cardíaco; e eletroconvulsoterapia Outras: - Trombose venosa cerebral - Transformação hemorrágica de infarto isquêmico - Migrânea - Endometriose cerebral - Intoxicação por metanol - Síndrome de Zieve Fonte: Adaptada de Qureshi AI et al., 2001. 664 de trombose venosa cerebral, ou até de um padrão vascular de doença de Moyamoya. 681 A TC de crânio também pode auxiliar na estimativa do volume da hemorragia pela fórmula ABC/2, na qual (A) corresponde ao maior diâmetro no corte tomográfico com maior área de hemorragia; (B) corresponde ao maior diâmetro perpendicular a (A); e (C) corresponde ao número de cortes tomográficos em que a hemorragia é visível, multiplicado pela espessura dos cortes. 682 Por ser um importante fator prognóstico, o volume da hemorragia também participa do cálculo dos escores Intracerebral Hemorrhage (ICH) e FUNC, também usados como medida de avaliação prognóstica na HIP (Figura 8.1). 683,684 A TC de crânio ainda pode ser utilizada para monitoramento evolutivo da HIP, sendo comum o aumento do volume da hemorragia nas primeiras 3 horas de evolução. 685 O uso de TC contrastada nas primeiras horas permite investigar a presença do Spot Sign , que se caracteriza por extravasamento do meio de contraste no interior da HIP, e tem grande valor preditivo para aumento do volume da hemorragia nas horas subsequentes e pior prognóstico. 686-688 B) Ressonância magnética A RM tem sensibilidade e especificidade comparáveis às da TC de crânio para o diagnóstico. 47,618,687 Entretanto, devido ao custo mais elevado, à menor disponibilidade, ao maior tempo para realização do exame e à menor tolerância dos pacientes, costuma ser realizada posteriormente à TC de crânio, nas fases subaguda e crônica, especialmente quando há suspeita de etiologia não HIP. 689 Na RM, a imagem da hemorragia depende de variáveis técnicas e biológicas que incluem as sequências utilizadas (especialmente T1, T2, T2* ou gradiente eco) e a idade do hematoma. Como regra geral, pela presença de oxi-hemoglobina, a hemorragia hiperaguda (menos de 24 horas) é isointensa em T1, hiperintensa em T2 e hipointensa em T2*. Na fase aguda (1 a 3 dias), pela presença de deoxi-hemoglobina, é isointensa em T1, hipointensa em T2 e hipointensa em T2*. Na fase subaguda (a partir do sétimo dia), pela degradação de hemoglobina em meta-hemoglobina, é hiperintensa em T1, hiperintensa em T2 e hipointensa em T2*. Na fase crônica (a partir do 14o dia), pela presença de hemossiderina, é hipointensa em T1, hipointensa em T2 e hipointensa em T2*. 519

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