ABC | Volume 113, Nº3, Setembro 2019

Atualização Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019 Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):449-663 não há indicações precisas quanto a volume corrente, frequência respiratória e concentração de oxigênio. 200 Durante os primeiros minutos de uma RCP, compressões torácicas sem interrupção podem manter troca gasosa adequada, assim, a inserção da via aérea avançada não deve retardar e nem prejudicar as compressões torácicas ou a desfibrilação. 200-203 A prioridade deve ser manter as compressões torácicas e as ventilações com BVM, exceto se estas se mostrarem inadequadas. 200 Para inserção de uma via aérea avançada, não deverá haver interrupção da RCP (Classe de Recomendação I; Nível de Evidência C), podendo ser indicada conforme treinamento do socorrista (Quadro 5.1). 204-206 5.2.1. Administração deOxigênio comConcentração de 100% O uso de oxigênio a 100% é razoável durante as manobras de RCP (Classe de Recomendação IIa; Nível de Evidência C), como objetivo de aumentar a oxi-hemoglobina arterial e a oferta de oxigênio. 200 Embora a exposição prolongada a 100% seja tóxica, não existem evidências definitivas sobre toxicidade com a exposição breve, como no cenário da RCP em adultos. 207,208 5.2.2. Ventilação com Dispositivo Bolsa-Válvula-Máscara O dispositivo deve ser conectado a uma fonte de oxigênio, de modo a possibilitar a oferta de oxigênio a 100%, mantendo seu reservatório expandido. Durante a RCP, as ventilações são administradas alternadamente às compressões torácicas, em uma frequência de 30 compressões torácicas para duas ventilações, com cada ventilação durando em torno de 1 segundo. 209 A máscara deve cobrir a cavidade nasal e oral, de modo a evitar escape de oxigênio (Figura 5.1). Antes de cada ventilação, verifica-se a abertura da via aérea. 200,210 A melhor maneira de realizar as ventilações com a BVM é com dois socorristas, um deles mantendo a vedação, realizando o “C” e “E” com as duas mãos, e o segundo comprimindo a bolsa apenas o suficiente para se obter expansão torácica (400 a 600 mL), a fim de reduzir os riscos, como distensão gástrica e broncoaspiração. 210-214 Não há evidência definitiva de diferença de prognóstico ou de sobrevivência da ventilação com BVM quando comparada com uso de via aérea avançada. 200,201,205 5.2.3. Dispositivos Auxiliares para Manejo da Via Aérea durante a Ressuscitação Cardiopulmonar A. Cânula orofaríngea: deve ser inserida na cavidade oral. Facilita a ventilação ao evitar a queda da língua, mantendo a abertura de via aérea, devendo-se realizar a medida antes de sua inserção 200,211 (Figura 5.2). Seu uso é reservado para pacientes não responsivos ou com reflexo de vômito ausente, podendo ser inserida por profissionais treinados 200 (Classe de Recomendação IIa; Nível de Evidência C). Quadro 5.1 – Orientações quanto ao manejo de via aérea durante a parada cardiorrespiratória Recomendações Classe de Recomendação Nível de Evidência Em pacientes em PCR sem via aérea avançada, manter ventilações com bolsa-válvula-máscara na frequência de 30 compressões para 2 ventilações IIa C, dados limitados Oxigênio a 100% durante as manobras de RCP IIa C Inserção de via aérea avançada não deve atrasar o início da RCP e a desfibrilação I C Se a inserção da via aérea avançada for causar interrupção nas compressões torácicas, o socorrista pode optar por atrasar esta inserção, até que haja falência de resposta às medidas de RCP e desfibrilação, ou até o RCE IIb C Tanto ventilação com bolsa-válvula-máscara quanto com via aérea avançada podem ser utilizadas para oxigenação e ventilação durante uma PCR IIb C, dados limitados Para profissionais de saúde treinados, tanto dispositivos supraglóticos quanto a intubação orotraqueal podem ser indicados como via aérea avançada IIb C, dados limitados Treinamento frequente é recomendado para socorristas que realizam intubação orotraqueal I B Para facilitar a ventilação com bolsa-válvula-máscara, a cânula orofaríngea pode ser utilizada em pacientes sem reflexo de tosse ou vômito, sendo inserida apenas por profissionais treinados em seu uso IIa C Para facilitar a ventilação com bolsa-válvula-máscara em paciente com fratura de base de crânio confirmada ou suspeita ou coagulopatia grave, preferir a cânula orofaríngea em detrimento da nasofaríngea IIa C O uso rotineiro da pressão cricoide durante a PCR não é recomendado III C Capnografia contínua com forma de onda é recomendada após avaliação clínica para confirmação e monitorização do posicionamento correto da intubação orotraqueal I C, dados limitados Se a capnografia contínua com forma de onda não está disponível, alternativas possíveis são detector de dióxido de carbono sem forma de onda, detector esofágico e ultrassonografia IIa C, dados limitados O tubo orotraqueal deve ser fixado com fita convencional, bandagem ou dispositivo comercial I C Após a instalação de uma via aérea avançada, proceder a ventilações a cada 6 segundos (10 ventilações/ minuto) enquanto compressões são realizadas de maneira contínua IIb C, dados limitados PCR: parada cardiorrespiratória; RCP: ressuscitação cardiopulmonar; RCE: retorno da circulação espontânea. 476

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