ABC | Volume 112, Nº5, Maio 2019

Artigo Original Gomes et al Termorregulação em ratos hipertensos Arq Bras Cardiol. 2019; 112(5):534-542 os grupos WIS-C, WIS-T, SHR-C e SHR-T, respectivamente. A fadiga foi determinada como o momento em que os animais não eram mais capazes de manter o ritmo de corrida, submetendo-se à estimulação elétrica por até dez segundos. 15 As situações experimentais foram randomizadas e equilibradas. O exercício foi realizado sempre entre 7:00-12:00 h, com intervalo de 48 horas entre as sessões. Durante o exercício foram realizados registros da T int , da T pele e do VO 2 a cada minuto. A T int foi registrada por telemetria (ER-4000 energizer/receptor, Mini-Mitter Respironics, EUA). A T pele foi medida utilizando um termômetro (THR-140, Instrutherm Instruments, Brasil), acoplado a um termopar (S-09K, Instrutherm Instruments, Brasil), fixado por uma fita adesiva impermeável cerca de 20 mm a partir da base lateral da cauda. 16 O VO 2 (ml.Kg -0,75 .min -1 ) foi mensurado por um sistema de calorimetria indireta de fluxo aberto (Panlab, Harvard Apparatus, Espanha). Durante toda a coleta de dados a temperatura no interior da esteira foi mantida em 25ºC. Cálculos Trabalho (W) = massa corporal (Kg)·força da gravidade (9,8 m/s 2 ) ·TTE (min)·velocidade da esteira (m.min -1 )·cos θ (inclinação da esteira). 17 EM = (W/custo energético)·100. 7 O limiar para dissipação de calor cutânea foi obtido como o valor médio de T int registrado no momento em que a T pele aumentava significativamente em comparação com o valor mais baixo atingido após o início do exercício. 8 A sensibilidade termoefetora foi calculada pela inclinação da reta gerada pela regressão linear construída a partir dos valores de T int e T pele dos 4 primeiros minutos após o alcance do limiar. 8 Acúmulo de calor (AC) = (ΔT int )·massa corporal (g)·c, onde ΔT int representa a variação na T int (T final ‑T inicial ) e c corresponde ao calor específico dos tecidos do corpo (0,826 cal.g -1 .ºC -1 ). 18 O AC foi normalizado por 100 g de massa corporal. A razão AC/W (cal.j -1 ) foi considerada como um índice de eficiência térmica. Análise estatística Para avaliar a normalidade dos dados foi utilizado o teste de Shapiro-Wilk. Uma vez que as variáveis apresentaram distribuição normal, os dados foram expressos como a média ± DP. A T int , a T pele e o VO 2 foram comparadas utilizando ANOVA two-way com parcelas subdivididas, seguido do post hoc mais adequado, teste t ( LSD ) ou Scott Knott . O TTE, o W, a EM, a PAS, a PAD, a PAM e a FCR foram analisados por ANOVA two way , seguido do post hoc de Tukey . O teste t pareado foi aplicado para identificar os efeitos do treinamento de baixa intensidade na massa corporal, na PAS, na PAD, na PAM e na FCR. O nível de significância foi de 5%. Todas as análises estatísticas foram realizadas utilizando-se o software Sisvar, versão 5.6 (Brasil). Resultados Os resultados dos efeitos do treinamento físico na massa corporal, PAS, PAD, PAM, FCR e TTE são apresentados na Tabela 1. A massa corporal aumentou em todos os grupos após 12 semanas. Os SHRs apresentaram uma menor massa corporal e maiores valores de PAS, PAD, PAM e FCR comparados aos ratos Wistar. A FCR dos ratos Wistar foi reduzida após o treinamento físico, no entanto, esta redução não foi observada nos SHRs. O treinamento físico de baixa intensidade reduziu significativamente a PAS (12%), a PAD (18%) e a PAM (12%) nos SHRs. Enquanto, no grupo SHR-C a PAS aumentou após o período de 12 semanas. O treinamento físico aumentou o desempenho tanto no grupo Wistar quanto no SHR. Além disso, o grupo SHR-T apresentou uma menor capacidade física quando comparado ao grupo WIS-T. As respostas da T int , do VO 2 e da T pele durante o protocolo de exercício físico agudo a 60% VMC são apresentadas na Figura 1. A hipertensão e o treinamento físico não modificaram a T int durante o exercício moderado (Figura 1A). O grupo WIS-T apresentou maior VO 2 (minuto 6 ao 16 e no ponto de fadiga; Figura 1B) e T pele (minuto 14 ao 18 e no ponto Tabela 1 – Características gerais. Dados expressos como média ± DP Variável WIS-C (n = 8) WIS-T (n = 8) SHR-C (n = 8) SHR-T (n = 8) MC inicial (g) 390,0 ± 16,9 356,6 ± 23,7 # 258,6 ± 14,7 + 271,3 ± 13,5 + MC final (g) 462,6 ± 15,8 * 421,0 ± 35,9 * # 326,5 ± 20,9 * + 309,1 ± 24,6 * + PAS inicial (mmHg) 132,2 ± 9,8 123,7 ± 7,6 172,5 ± 14,9 + 189,7 ± 9,6 #+ PAS final (mmHg) 129,6 ± 7,6 127,8 ± 8,7 190,0 ± 8,4 * + 167,3 ± 16,6 * #+ PAD inicial (mmHg) 84,0 ± 13,2 90,0 ± 13,2 135,5 ± 18,1 + 143,3 ± 17,8 + PAD final (mmHg) 90,3 ± 7,9 98,5 ± 14,1 144,5 ± 18,6 + 117,3 ± 28,0 * #+ PAM inicial (mmHg) 100,3 ± 10,7 100,8 ± 10,7 147,6 ± 16,1 + 157,7 ± 14,9 #+ PAM final (mmHg) 104,0 ± 7,3 107,2 ± 13,2 158,6 ± 12,1 + 133,1 ± 22,6 * #+ FCR inicial (bpm) 338,7 ± 19,5 340,2 ± 12,1 374,2 ± 11,0 + 370,1 ± 12,4 + FCR final (bpm) 337,5 ± 10,7 311,7 ± 12,1 * # 374,2 ± 16,4 + 365,7 ± 18,6 + TTE (min) 21,9 ± 1,9 34,8 ± 4,2 # 23,4 ± 2,5 28,4 ± 3,6 #+ WIS-C: Wistar controle; WIS-T: Wistar treinado; SHR-C: SHR controle; SHR-T: SHR treinado; MC: massa corporal; PAS: pressão arterial sistólica; PAD: pressão arterial diastólica; PAM: pressão arterial média; FCR: frequência cardíaca de repouso; TTE: tempo total de exercício no teste progressivo na 8ª semana. * p < 0,05: inicial vs. final. # p < 0,05: treinado vs. controle dentro da mesma linhagem. + p < 0,05: WIS vs. SHR no mesmo nível de treinamento. 536

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