ABC | Volume 112, Nº4, Abril 2019

Posicionamento da FSCLP Oliveira et al 2019: Recomendações para a redução do consumo de tabaco nos países de Língua Portuguesa Arq Bras Cardiol. 2019; 112(4):477-486 Tabela 12 – Terapia não nicotínica (TNN) Cloridrato de bupropiona • Simula alguns dos efeitos da nicotina no cérebro, bloqueando a captação neuronal de dopamina e norepinefrina. Pode ser usado em associação com a terapia de reposição de nicotina com adesivo. • Excelente opção para subgrupos de fumantes mais propensos a recaídas, com depressão após interrupção do fumo, para mulheres e naqueles que possuem alto grau de dependência. As taxas de sucesso na cessação do fumo variam de 30% a 36%. • Esquema terapêutico: Iniciar tratamento 8 dias antes da interrupção do tabagismo. – 150 mg pela manhã por três dias, seguido de 150 mg pela manhã e à tarde com intervalo de 8 horas durante 3 meses, podendo ser prolongado por até 6 meses. Controlar a pressão arterial e, se houver elevação, pode-se reduzir a dose para 150 mg/dia antes da suspensão em casos refratários. Reduzir as doses na insuficiência renal e hepática para 150 mg/dia. Inibidores da monoamina oxidase devem ser suspensos até 15 dias antes de iniciar a bupropiona. Usar com cautela ou evitar nos pacientes em uso de antipsicóticos,teofilina e esteroides sistêmicos, por favorecer o surgimento de crises convulsivas. • Contraindicações: – Absolutas: história de convulsão (mesmo febril), epilepsia, traumatismo cranioencefálico, anormalidades ao eletroencefalograma, tumor cerebral, alcoolismo grave, anorexia nervosa e bulimia, gravidez e lactação. – Relativas: Uso associado de barbitúricos, benzodiazepínicos, cimetidina, pseudoefedrina, fenitoína, hipoglicemiantes orais, ou insulina. Tartarato de vareniclina • Agonista parcial do receptor colinérgico de nicotina α4β2, que media a liberação de dopamina no cérebro. • Apresenta duplo efeito: reduz os sintomas da abstinência e o desejo de fumar. • Esquema terapêutico: iniciar 1 semana antes da data de interrupção, com 0,5 mg por 3 dias pela manhã, seguido de 0,5 mg do 4º ao 7º dia pela manhã (7h) e à tarde (19h) e 1 mg/dia por 3 meses pela manhã (7h) e à tarde (19h), podendo ser estendido até 6 meses em casos sem cessação plena do tabagismo ou com risco de recaída. A vareniclina é administrada por via oral, não sofre metabolização hepática e sua excreção renal é praticamente in natura . • Efeitos adversos: náusea (20%), cefaleia, sonhos vívidos e ganho ponderal. Raramente, mudanças do humor, agitação e agressividade. • Por não sofrer metabolização hepática, a vareniclina não interfere com o uso concomitante de digoxina, metformina ou varfarina. A cimetidina pode aumentar a biodisponibilidade da vareniclina. • Deve ser usada com cautela em pacientes com insuficiência renal. • Contraindicação: gestação, lactação, idade abaixo de 18 anos, distúrbio bipolar, esquizofrenia ou epilepsia. Tabela 13 – Tratamento farmacológico habitual para o tabagismo Medicamento Início do tratamento Esquema terapêutico Duração (semanas) Terapia com reposição de nicotina: adesivo Na data escolhida para cessação do fumo 21-25 mg/ dia - 4 semanas 14-15 mg/dia - 4 semanas 7 mg/dia - 2 semanas Para fumantes com maior dependência, podem ser necessárias doses maiores que 21 mg 8 a 10 Terapia com reposição de nicotina: goma ou pastilha Na data escolhida para cessação do fumo 2 mg ou 4 mg: 1 a 4 vezes ao dia 8 a 10 Terapia não nicotínica: bupropiona Uma semana antes da data escolhida para cessação do fumo Primeiro ao terceiro dia - 150 mg, 1 x dia Quarto dia até o final - 150 mg, 2 x ao dia 12 Terapia não nicotínica: vareniclina Uma semana antes da data escolhida para cessação do fumo Primeiro ao terceiro dia - 0,5 mg, 1 x dia Quarto ao sétimo dia - 0,5 mg de 12/12 horas Oitavo dia até o final - 1 mg 12/12 horas 12 1. Global, regional, and national age-sex-specific mortality and life expectancy, 1950–2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017 GBD 2017 Mortality Collaborators* Lancet. 2018;392(10159):1684-735 2. WorldHealthOrganization (WHO). Ambient air pollution: global exposure and burden of disease, 2016 update (in preparation). Geneva;2016.(update in preparation). [Internet]. [Cited in 2018 Dec 10]. Available from: https:// www.who.int/nmh/publications/ncd-profiles-2018/en/ 3. GBD 2015 Tobacco Collaborators. Smoking prevalence and attributable disease burden in 195 countries and territories, 1990-2015: a systematic analysis from the Global Burden of Disease Study 2015. Lancet. 2017;389(10082):885-1906. 4. Nascimento BR, Brant LCC, Oliveira GMM, Malachias MVB, Reis GMA, Teixeira RA, et al. Cardiovascular Disease Epidemiology in Portuguese- Speaking Countries: data from the Global Burden of Disease, 1990 to 2016. Arq Bras Cardiol. 2018;110(6):500-11. Referências 485

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