ABC | Volume 111, Nº3, Setembro 2018
Comunicação Breve Infartos Cerebrais Silenciosos com Fração de Ejeção Reduzida, Intermediária e Preservada em Pacientes com Insuficiência Cardíaca Silent Cerebral Infarctions with Reduced, Mid-Range and Preserved Ejection Fraction in Patients with Heart Failure Márcia Maria Carneiro Oliveira, 1 Elieusa e Silva Sampaio, 1 Jun Ramos Kawaoka, 2 Maria Amélia Bulhões Hatem, 3 Edmundo José Nassri Câmara, 4 André Maurício Souza Fernandes, 5 Jamary Oliveira-Filho, 3 Roque Aras 6 Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia, 1 Salvador, BA - Brasil Hospital Cardio Pulmonar, 2 Salvador, BA - Brasil Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES) - Universidade Federal da Bahia, 3 Salvador, BA - Brasil Hospital Ana Nery - Universidade Federal da Bahia, 4 Salvador, BA - Brasil Programa de Pós-graduação em Medicina e Saúde - Universidade Federal da Bahia, 5 Salvador, BA - Brasil Ambulatório de Cardiomiopatias e Insuficiência Cardíaca - Universidade Federal da Bahia, 6 Salvador, BA - Brasil Palavras-chave Insuficiência Cardíaca; Infarto Cerebral; Volume Sistólico; Acidente Vascular Cerebral. Correspondência: Márcia Maria Carneiro Oliveira • Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Rua Dr. Augusto Viana, S/N. CEP 40110-060, Canela, Salvador, BA - Brasil E-mail: marcia.carneiro@ufba.br, marcianinhas@yahoo.com.br Artigo recebido em 04/04/2018, revisado em 06/06/2018, aceito em 12/06/2018 DOI: 10.5935/abc.20180140 Resumo A insuficiência cardíaca predispõe a um risco aumentado de infarto cerebral silencioso, e dados relacionados com a fração de ejeção do ventrículo esquerdo ainda são limitados. Nosso objetivo foi descrever as características clínicas e ecocardiográficas, e os fatores associados com infarto cerebral silencioso, em pacientes com insuficiência cardíaca, de acordo com os grupos de fração de ejeção do ventrículo esquerdo. Realizou-se uma coorte prospectiva, em um hospital referência em Cardiologia, entre dezembro de 2015 e julho de 2017. Os grupos da fração de ejeção do ventrículo esquerdo foram: reduzida (≤ 40%), intermediária (41-49%) e preservada (≥ 50%). Todos os pacientes realizaram tomografia de crânio, ecocardiograma transtorácico e transesofágico. Foramestudados 75 pacientes. Infarto cerebral silencioso foi observado em14,7% da população do estudo (45,5% lacunar e 54,5% territorial), tendo sido mais frequente nos pacientes do grupo de fração de ejeção do ventrículo esquerdo reduzida (29%) em comparação com a intermediária (15,4%; p = 0,005). Não ocorreram casos de infarto cerebral silencioso no grupo de fração de ejeção do ventrículo esquerdo preservada. Na análise univariada, identificou-se associação de infarto cerebral silencioso com fração de ejeção do ventrículo esquerdo reduzida (OR = 8,59; IC95% 1,71- 43,27; p = 0,009), preservada (OR = 0,05; IC95% 0,003-0,817; p = 0,003) e diabetes melito (OR = 4,28; IC95% 1,14-16,15; p=0,031). Empacientes com insuficiência cardíaca e sem diagnóstico clínico de acidente vascular cerebral, as frações de ejeção do ventrículo esquerdo reduzida e intermediária contribuíram para ocorrência de infarto cerebral silencioso territoriais e lacunares, respectivamente. Quanto menor foi a fração de ejeção do ventrículo esquerdo, maior a prevalência de infarto cerebral silencioso. Introdução A insuficiência cardíaca (IC) predispõe a um risco aumentado de anormalidades cerebrais, dentre elas o infarto cerebral silencioso, que é definido pela presença de infartos no parênquima encefálico (territorial ou lacunar) verificados por meio de métodos de imagem, sem episódio prévio de acidente vascular cerebral (AVC) documentado. 1,2 Os fatores de risco independentes associados ao AVC silencioso na IC geralmente são devido ao comprometimento da função ventricular esquerda, aos padrões restritivos de enchimento diastólico na ecocardiografia, ao contraste ecogênico espontâneo do Átrio Esquerdo (AE) e por lesões ateroscleróticas complexas ou calcificadas na aorta. 3-5 O AVC isquêmico é uma complicação comum na IC, independentemente da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) preservada (FEVEp) ou FEVE reduzida (FEVEr). 5 A FEVE prediz risco de infartos cerebrais, sobretudo com FEVEr. Acredita-se que a redução do fluxo sanguíneo pode favorecer a formação de contraste ecogênico espontâneo, trombos intracavitários e consequentes eventos cardioembólicos. 6 Entretanto, os dados que explicam o mecanismo do AVC na IC em pacientes com FEVEp ainda são limitados, 7 e dados relacionados ao AVC e à FEVE intermediária são escassos. O objetivo deste estudo foi descrever as características clínicas e ecocardiográficas e os fatores associados com infarto cerebral silencioso empacientes comICde acordo comos grupos de FEVE. Métodos Trata-se de uma coorte prospectiva, realizada em hospital de referência no atendimento a pacientes de IC no município de Salvador (BA), entre dezembro de 2015 e julho de 2017. O diagnóstico de IC foi realizado de acordo com as recomendações da European Society of Cardiology (ESC), 8 com os pacientes que tinham sinais e sintomas de IC, doença cardíaca estrutural relevante (índice de massa corporal do Ventrículo Esquerdo − VE ≥ 115 g em homens e ≥ 95 g em mulheres, ou dilatação atrial esquerda ≥ 40 mm) e ou anormalidade diastólica (relação E/A < 0,75 ou ≥ 1,5, ou tempo de desaceleração da onda E < 140 ms). Os grupos da FEVE foram caracterizados da seguinte forma: FEVEr (≤ 40%), FEVE Intermediária (FEVEi; 41-49%) e FEVEp (≥ 50%). 9 O diagnóstico de fibrilação atrial (FA) foi baseado nas informações disponíveis no prontuário e no eletrocardiograma. 419
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