ABC | Volume 111, Nº3, Setembro 2018

Artigo Original Schmidt et al Raiva e doença arterial coronariana em mulheres Arq Bras Cardiol. 2018; 111(3):410-416 Figura 1 – Curva de sobrevida para eventos cardiovasculares maiores em até 48 meses de seguimento entre mulheres com controle da raiva abaixo e acima da média. 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 35,00 40,00 50,00 45,00 30,00 Sobrevida acumulada p = 0,62 raiva controle: média < 27 ≥ 27 Tempo até 1° desfecho Observa-se que a curva de sobrevida separa-se entre os 5 e 20 meses, aproximando-se após os 30 meses de seguimento, de forma que, aqueles que tiveram o controle da raiva abaixo tiveram uma sobrevida ao redor de 60% enquanto que os que possuíam os escores acima da média apresentaram uma sobrevida em torno dos 66%. (p = 0,62) Curva de sobrevida conforme o controle da raiva obesidade, dentre outros fatores de risco cardiovasculares. 13,25 Em um estudo de Pérez-García et al., 26 o mal-estar emocional e o relato de sintomas foram positivamente associados à maior raiva para dentro e menor controle da raiva, e a prática de condutas preventivas estava associada a menor repressão e maior controle da raiva, com melhor canalização e regulação de sentimentos de raiva. A possibilidade de que esses pacientes combaixo controle de raiva também tenhamumbaixo controle sobre outros comportamentos de risco ou usam‑nos como mecanismo de conforto pode ser considerada, uma vez que são descritos os efeitos do bem-estar através de mecanismos neuroendócrinos de liberação hormonal, como a serotonina, produzindo bem-estar após a ingestão energética, o que seria aplicável em situações de estresse/raiva. 27 O valor compensatório, cognitivo e afetivo atribuído aos alimentos sobrepõe-se ao controle homeostático e aos sinais fisiológicos de fome e saciedade que controlam a ingestão de alimento e o peso corporal. 27,28 Tal processo, por sua vez, provocaria, se continuamente evocado, a DAC como um fator associado não apenas à emoção da raiva, mas a todo o mecanismo inadequado de enfrentamento que poderia acompanhá-la. Forças e limitações Este estudo tem a sua força na apresentação de uma amostra de mulheres, que são geralmente sub-representadas em ensaios clínicos. Esse é um recorte do mundo real, com poucas perdas por um longo período de acompanhamento. As avaliações dos fatores de risco foram feitas com base nas entrevistas com as participantes, e pode haver viés de informação. Avaliar a raiva e seu controle, mesmo que com uma ferramenta desenvolvida para tal, é uma tarefa árdua, considerando que os traços de personalidade podem ser combinados. Toda pesquisa nessa área é um desafio. Conclusões As mulheres comDAC submetidas à angiografia coronariana apresentaram uma baixa prevalência de menor controle da raiva. O baixo controle da raiva foi associado à idade e à história familiar de DAC. No seguimento clínico de até 48 meses, não houve diferença significativa no tempo livre de eventos entre pacientes com escore de controle da raiva acima e abaixo da média. Contribuição dos autores Concepçãoedesenhodapesquisa:MouraMR,GottschallCAM, Schmidt MM; Obtenção de dados: Schmidt KES, Schmidt MM; Análise e interpretação dos dados: Schmidt KES, Quadros AS, Moura MR, Gottschall CAM, Schmidt MM; Análise estatística: SchmidtMM; Redação domanuscrito: Schmidt KES, Quadros AS, Schmidt MM; Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Quadros AS, MouraMR, Gottschall CAM. Potencial conflito de interesses Declaro não haver conflito de interesses pertinentes. 415

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