ABC | Volume 111, Nº3, Setembro 2018

Artigo Original Dislipidemia Secundária em Crianças Obesas – Há Evidências para Tratamento Farmacológico? Secondary Dyslipidemia In Obese Children – Is There Evidence For Pharmacological Treatment? Graciane Radaelli, Grasiele Sausen, Claudia Ciceri Cesa, Vera Lucia Portal, Lucia Campos Pellanda Instituto de Cardiologia / Fundação Universitária de Cardiologia – IC/FUC, Porto Alegre, RS - Brasil Correspondência: Lucia Campos Pellanda • Av. Princesa Isabel, 370, 3º andar, CEP 99620-000, Santana, Porto Alegre, RS – Brazil E-mail: pellanda.pesquisa@gmail.com, metodologia.up@cardiologia.org.br Artigo recebido em 08/02/2017, revisado em 21/06/2017, aceito em 01/09/2017 DOI: 10.5935/abc.20180155 Resumo Fundamento: A segurança em longo prazo, a eficácia e os critérios para o tratamento com estatinas em crianças são ainda pouco claros na prática clínica. Existem evidências muito limitadas para o uso de medicação em crianças com dislipidemia secundária à obesidade e que não respondem bem à modificação do estilo de vida. Objetivo: Revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados de uso de estatinas para o tratamento de crianças e adolescentes com dislipidemia secundária à obesidade. Métodos: Realizamos a busca nas bases de dados PubMed, EMBASE, Bireme, Web of Science, Cochrane Library, SciELO e LILACS para coleta de dados para avaliar o efeito das estatinas sobre: melhora dos marcadores de doença arterial coronariana (DAC) nos resultados clínicos na idade adulta, aumento dos níveis séricos de colesterol total (CT), lipoproteína de baixa densidade (LDL-C) e apolipoproteína B (APOB) e diminuição dos níveis de lipoproteína de alta densidade (HDL-C) desde o início até fevereiro de 2016. Crianças e adolescentes foram incluídos. Resultados: Das 16793 citações potencialmente relevantes recuperadas das bases de dados eletrônicas, nenhum ensaio clínico randomizado atendeu aos critérios de inclusão de crianças com dislipidemia secundária à obesidade. Conclusões: Não encontramos evidência específica para considerar as estatinas no tratamento da hipercolesterolemia secundária à obesidade em crianças. A prática usual de extrapolar achados de estudos em dislipidemia genética ignora as diferenças nos riscos cardiovasculares de longo prazo e os riscos de tratamento de drogas de longo prazo, quando comparada com a recomendação de mudanças de estilo de vida. Ensaios clínicos randomizados são necessários para compreender o tratamento medicamentoso na dislipidemia secundária à obesidade. (Arq Bras Cardiol. 2018; 111(3):356-361) Palavras-chave: Dislipidemias; Criança; Obesidade; Adolescentes; Inibidores deHidroximetilglutaril-CoARedutases; Colesterol. Abstract Background: Long-term safety, effectiveness and criteria for treatment with statins in children are still unclear in clinical practice. There is very limited evidence for the use of medication to treat children with dyslipidemia secondary to obesity who do not respond well to lifestyle modification. Objective: Systematic review of randomized clinical trials of statin use to treat children and adolescents with dyslipidemia secondary to obesity. Methods: We performed a search in PubMed, EMBASE, Bireme, Web of Science, Cochrane Library, SciELO, and LILACS for data to evaluate the effect of statins on: improvement of surrogate markers of coronary artery disease in clinical outcomes of adulthood; increased serum levels of total cholesterol (TC), low-density lipoprotein cholesterol (LDL-C) and apolipropotein B (APOB); and decreased serum levels of high-density lipoprotein cholesterol (HDL-C) from inception to February 2016. Participants were children and adolescents. Results: Of the 16793 potentially relevant citations recovered from the electronic databases, no randomized clinical trials fulfilled the inclusion criteria for children with dyslipidemia secondary to obesity. Conclusions: We found no specific evidence to consider statins in the treatment of hypercholesterolemia secondary to obesity in children. The usual practice of extrapolating findings from studies in genetic dyslipidemia ignores the differences in long-term cardiovascular risks and the long-term drug treatment risks, when compared to recommendation of lifestyle changes. Randomized clinical trials are needed to understand drug treatment in dyslipidemia secondary to obesity. (Arq Bras Cardiol. 2018; 111(3):356-361) Keywords: Dyslipidemias; Child; Obesity; Adolescents; Hydroxymethylglutaryl-CoA Reductase Inhibitors; Cholesterol. Full texts in English - http://www.arquivosonline.com.br 356

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