ABC | Volume 111, Nº3, Setembro 2018

Minieditorial Relação da Adiponectina com as Características da Placa Aterosclerótica ao Ultrassom Intravascular com Radiofrequência e Desfechos Cardiovasculares Adiponectin in Relation to Coronary Plaque Characteristics on Radiofrequency Intravascular Ultrasound and Cardiovascular Outcome José Mariani Junior Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Brasil Instituto do Coração – HCFMUSP, São Paulo, SP - Brasil Santa Casa de São Paulo, São Paulo, SP - Brasil Minieditorial referente ao artigo: Relação da Adiponectina com as Características da Placa Aterosclerótica ao Ultrassom Intravascular com Radiofrequência e Desfechos Cardiovasculares Correspondência: José Mariani Junior • Hospital Israelita Albert Einstein - Medicina Intervencionista – 4º andar – Bloco B - Av. Albert Einstein, 627. CEP 05652-900, Morumbi, São Paulo, SP - Brasil E-mail: jose.mariani@einstein.br Palavras-chave Inflamação/fisiopatologia; Aterosclerose; Biomarcadores/ sangue; Placa Aterosclerótica/diagnóstico por imagem; Placa Aterosclerótica/genética; Ultrasonografia de Intervenção; Adiponectina. DOI: 10.5935/abc.20180173 A inflamação é um componente complexo e necessário da resposta a estímulos biológicos, químicos ou físicos, e os eventos celulares e moleculares que iniciam e regulam as interações entre os diversos atores do processo inflamatório das lesões ateroscleróticas permanece sendo fonte de investigações em andamento. 1 O objetivo do Projeto Colaborativo Europeu sobre Inflamações e Remodelagem da Parede Vascular no Estudo Aterosclerose – Ultrassom Intravascular (ATHEROREMO‑IVUS) era investigar as relações de perfil genético e novos biomarcadores inflamatórios e circulantes com fenótipo de placa coronária e vulnerabilidade conforme determinado por ultrassom intravascular (IVUS). 2 Os resultados deste ensaio tem nos auxiliado a melhorar nossos conhecimentos sobre o papel do perfil genético e de biomarcadores inflamatórios circulantes em relação ao desenvolvimento da aterosclerose e placas vulneráveis. Como um órgão endócrino, o tecido adiposo é reconhecido como uma fonte rica de mediadores pró-inflamatórios que pode contribuir diretamente para lesões vasculares, resistência a insulina e aterogênese. 3 Desse modo, esse tipo de tecido pode modular a resposta inflamatória através da liberação de uma ampla gama de mediadores, conhecidos como adipocitocinas. A adiponectina, um tipo de adipocitocina, possui propriedades anti-aterogênicas e antiinflamatórias e atua como um fator que aumenta a sensibilidade à insulina, e seu efeito protetivo pode ser resultado de sua habilidade de suprimir a produção de citocinas pró-inflamatórias. 3 Graças ao complexo equilíbrio entre sua atividade pró- e antiinflamatória, seu papel fisiopatológico e prognóstico nas doenças cardiovasculares ainda é foco de debate. 4 A adiponectina, testada neste ensaio, foi apresentada aqui por Marino BCA et al. 5 Apesar da média do seu valor sérico no coorte completa não estar associada à composição da placa aterosclerótica, nem à carga de placa avaliada por Histologia Virtual IVUS (VH-IVUS), ela pode ser considerada como uma variável de morte independente nesta amostra. Diversamente, no sub-grupo de pacientes com sintomas estáveis, o valor médio da adiponectina foi associado a um fibroateroma de capa fina identificado pelo VH-IVUS, mas não à morte. Essas discrepâncias revelam a dificuldade de tentar se identificar, neste elegante método, qualquer biomarcador para o reconhecimento de pacientes portadores de placas ateroscleróticas vulneráveis e, assim, sob risco de desfechos duros desfavoráveis, como o óbito. Também demonstra existir um longo caminho a ser percorrido e validado e, a partir de então, tentar identificar, além das medidas já conhecidas, o que mais pode ser oferecido no que diz respeito à identificação precoce destes paciente de tão alto risco. 354

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