ABC | Volume 111, Nº3, Setembro 2018

Editorial Jardim A SBC e a Hipertensão Arterial: é hora de ação Arq Bras Cardiol. 2018; 111(3):343-344 1. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). [Citado em 2018 mar 10]. Disponível em https://www.ibge.gov.br/ 2. Report of the Joint National Committee on Detection, Evaluation and Treatment of High Blood Pressure. JAMA. 1977;237(3):255-61. 3. World Health Organization (WHO). WHO Expert Committee on Arterial hypertension. Geneva;1978. (Technical Report Series No. 628) 4. Guidelines Committee 2003 European Society of Hypertension—European Society of Cardiology guidelines for the management of hypertension J Hypertens. 2003;21:1011–53. 5. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Consenso Brasileiro de Hipertensão Arterial, Arq BrasCardiol.1996; 56(Supl A):A1-A16. 6. Malachias MVB, Souza WKSB, Plavnik FL, Rodrigues CIS, Brandão AA, Neves MFT, et al., Sociedade Brasileira de Cardiologia. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arq Bras Cardiol. 2016; 107(3Supl.3):1-83. 7. Task Force for the management of arterial hypertension of the European Society of Hypertension; Task Force for the management of arterial hypertension of the European Society of Cardiology. 2013 ESH/ESC Guidelines for the management of arterial hypertension. Blood Press. 2013;22(4):193-278. 8. Weber MA, Schiffrin EL, WhiteWA, Mann S, Lindbolm LH, Venerson JG, et al. Clinical practice guidelines for the management of hypertension in the community: a statement by the American Society of Hypertension and the International Society of Hypertension. J Hypertens. 2014;32(1):3-15. 9. Guidelines on the management of arterial hypertension and related comorbidities in Latin America Task Force of the Latin American Society of Hypertension, J Hypertens. 2017; 35(8):1529-45. 10. Williams B, Mancia G, Spiering W, Agabiti Rosei E, Azizi M, Burnier M, et al. 2018 ESC/ESHGuidelines for the management of arterial hypertension. ESC Scientific Document Group. Eur Heart J. 2018 Aug 25. [Epub ahead of print] Referências Este é um artigo de acesso aberto distribuído sob os termos da licença de atribuição pelo Creative Commons se apresentam com a pressão controlada, temos um percentual de controle que chega, no máximo, a 40%. O significado prático deste número é que, em valores absolutos, apenas 25 indivíduos de cada 100 hipertensos em geral apresentam sua pressão controlada, ou seja, ainda é válida a antiga, e que pensávamos ultrapassada, regra das metades. 6 Um fracasso estrondoso! E pensar que avançamos bastante! A ser perpetuado este estado de coisas, a morbimortalidade pelas doenças cardiovasculares continuará sendo a maior, e poderá ainda aumentar, na medida em que a epidemia do excesso de peso também chegou ao nosso país, com sinais evidentes de ter vindo para ficar. Ainda centrando a atenção no Brasil, onde erramos? Como podemos melhorar? Na prática diária, lidamos ainda com dificuldades no conhecimento sobre a presença da HA, mas neste caso, as estratégias de divulgação universal têm funcionado e apenas necessitam ser reforçadas e continuadas. Com relação ao tratamento, se por um lado temos um arsenal terapêutico bastante satisfatório, por outro ainda temos muitas dificuldades para sua utilização correta. Existem várias vertentes, igualmente importantes, que devem ser enfrentadas ativamente pelas nossas sociedades científicas. Entre elas podemos citar: a) a formação médica; b) a educação médica continuada; c) o acesso aos serviços de saúde; d) o acesso aos medicamentos fundamentais; e) a adesão ao tratamento. A SBC tem séria responsabilidade e deve ser mais incisiva, buscando participar ativamente da política para o controle da criação e funcionamento das escolas médicas e, ao mesmo tempo, aumentando ainda mais sua participação na educação médica continuada. Deve haver uma preocupação com a revisão crítica de nossas Diretrizes. A quem se destinam, qual a extensão de seu conteúdo, como implementá-las e como disseminá-las pelo país. É triste e faz parte do mundo real vermos pacientes recebendo tratamentos inadequados, seja pelo tipo de fármaco utilizado, seja pelas doses inadequadas, enquanto nossas diretrizes e várias diretrizes internacionais estão tratando de conceitos ultra-avançados que, sequer, são passíveis de serem executados na prática clínica diária. 6-10 Há que se repensar. A questão do acesso aos serviços e aos medicamentos fundamentais deve também ser uma questão de honra. É dever da sociedade organizada e de cada cidadão, individualmente, participar dos mecanismos de pressão para que as políticas públicas na área da saúde sejam, efetiva e continuamente, implementadas. Assim, poderemos ter continuidade em tantos projetos que já promoveram avanços, que foram completamente perdidos pela simples vontade política de dirigentes descompromissados com a sociedade. Quem sabe seguindo este caminho estaremos, com efeito, contribuindo para uma mudança na história das doenças cardiovasculares em nosso país. 344

RkJQdWJsaXNoZXIy MjM4Mjg=