ABC | Volume 111, Nº2, Agosto 2018

Posicionamento 1º Posicionamento Brasileiro sobre o Impacto dos Distúrbios de Sono nas Doenças Cardiovasculares da Sociedade Brasileira de Cardiologia Arq Bras Cardiol. 2018; 111(2):290-340 3. Classificação e Quadro Clínico 3.1. Classificação da Apneia Obstrutiva do Sono De acordo com o relatório da força-tarefa da American Academy of Sleep Medicine (AASM), 60 o critério de gravidade da AOS é assim dividido: •Leve: 5 a 14,9 eventos obstrutivos por hora de sono. •Moderada: 15 a 29,9 eventos obstrutivos por hora de sono. •Importante (ou grave): 30 ou mais eventos obstrutivos por hora de sono. 3.2. Quadro Clínico 3.2.1. Fatores Predisponentes Em estudos de base populacional, o excesso de peso corporal aparece como principal fator de risco para AOS no adulto, seguido pelo sexo masculino e , subsequen t emen t e , pe l a s anorma l i dades craniofaciais e pela idade. 4,14,61-63 Além disto, algumas condições clínicas são reconhecidas como fatores de risco para AOS. O hipotireoidismo, que pode acompanhar-se de obesidade, macroglossia e redução do estímulo ventilatório, é reconhecido como fator predisponente mais importante em mulheres. 64,65 A acromegalia é outra endocrinopatia na qua l a f r equênc i a da AOS é e l evada − provavelmente superior a 60%. 66 Obstrução nasal de diversas etiologias também pode se acompanhar de ronco e distúrbios respiratório do sono. 67 Hipertrofia adenotonsilar pode acompanhar-se de AOS, particularmente em crianças. 68 Doenças congênitas, que afetam o calibre da via aérea, como, trissomia 21, acondroplasia, mucopolissacaridoses e as síndromes de Pierre Robin, Klippel-Feil, Alpert, Treacher-Collins e Marfan também exibem forte associação com distúrbios respiratórios do sono. 69 O uso de sedativos e o consumo de álcool próximo ao início do sono aumentam a frequência e a duração dos eventos respiratórios anormais, além de poderem desencadear AOS nos roncadores. 70 Fumantes apresentam RR quatro a cinco vezes maior de distúrbios respiratórios do sono. 71 3.2.2. Sintomas Os pacientes com AOS podem apresentar uma gama de manifestações clínicas, frequentemente classificadas em diurnas e noturnas (Quadro 2). De forma geral, os sintomas noturnos, quase sempre relatados por quem vê o paciente dormir, tendem a ser mais específicos. Dentre as várias formas de apresentação, as principais manifestações são de ronco associado à apneias presenciadas por terceiros, o qual deve ser considerado fortemente sugestivo de AOS. Fadiga e sonolência excessiva são as principais e mais frequentes queixas nos pacientes com AOS, podendo, no entanto, resultar de anormalidades do sono de outras etiologias. 72 Quadro 2 – Manifestações clínicas da apneia obstrutiva do sono (em evidência as principais) Sintomas noturnos Ronco habitual Apneias presenciadas Despertares com sensação de sufocamento Sono fragmentado Insônia de manutenção Refluxo gastresofágico com pirose Nocturia e/ou enurese noturna (sobretudo em crianças) Sudorese excessiva noturna Sintomas diurnos Sonolência excessiva Esquecimento Alterações de personalidade Redução da libido e/ou impotência Boca seca ao despertar Cefaleia matinal Comportamentos automáticos com amnésia retrógrada Hiperatividade (em crianças) Hipoacusia Fonte: Modificado de Chokroverty. 72 297

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