ABC | Volume 111, Nº2, Agosto 2018

Posicionamento 1º Posicionamento Brasileiro sobre o Impacto dos Distúrbios de Sono nas Doenças Cardiovasculares da Sociedade Brasileira de Cardiologia Arq Bras Cardiol. 2018; 111(2):290-340 prévios, com amostras representativas da população em geral, mostraram que a prevalência da AOS em adultos pode variar de 1,2 a 7,5%, considerando como critérios diagnósticos a presença do IAH acima de cinco eventos por hora de sono e sonolência excessiva diurna. 4-13 Porém,estudos mais recentes apontam taxas de prevalência mais altas, e isto pode ser explicado por alguns motivos como: a epidemia de sobrepeso e obesidade, que tem sido verificada nas últimas 2 décadas; a melhora nos métodos diagnósticos; a mudança nos critérios adotados para a definição da AOS. Por exemplo, estudo epidemiológico realizado na cidade de São Paulo (SP) observou que a prevalência da AOS foi de 32,9%. 14 Outro estudo, utilizando os dados do Wisconsin Sleep Cohort (WSC), mostrou que a prevalência geral da AOS foi de 10% e, para homens entre 30 e 49 anos, foi de 17%. Estes autores relataram que houve aumento de 14 a 55% na prevalência da AOS nos dois períodos estudados (1988-1994 e 2007-2010), dependendo do subgrupo analisado. 15 Recentemente, estudo realizado em Lausanne (Suíça), entre 2009 e 2013, denominado HypnoLaus, corroborou estas altas taxas de prevalência da AOS, observando prevalência de 23,4% em mulheres e de 49,7% em homens, com gravidade entre moderada à grave. 16 Os estudos populacionais são unâmimes em estimar que a prevalência da AOS é maior em diferentes subgrupos, incluindo sexo masculino, indivíduos mais velhos e aqueles com sobrepeso ou obesidade. 4,7,10,11 Apesar da consideravel elevada prevalência da AOS na população geral, estima-se que cerca de 75 a 80% desta população permaneça sem diagnóstico nos Estados Unidos. 17 2.2. Distúrbios Respiratórios do Sono nas Doenças Cardiovasculares 2.2.1. AOS e Hipertensão Arterial Sistêmica A frequência de AOS varia de 30 a 56% entre os pacientes com Hipertensão arterial Sistêmica (HAS) em geral. 18-20 No entanto, esta prevalência é ainda mais expressiva entre os pacientes com a HAS resistente, variando entre 64 a 83%. 21-24 Em uma das evidências, a AOS foi a condição clínica mais comumente associada à HAS resistente. 23 Investigação longitudinal dos indivíduos incluídos na WSC demonstrou maior incidência de HAS em pessoas com a AOS após 4 anos de acompanhamento. 25 De forma interessante, a razão de chance de HAS aumentou com a elevação do IAH basal. 25 Análises prospectivas do SHHS ( Sleep Heart Health Study ) mostraram a relação entre a linha de base do IAH e o risco aproximado de desenvolvimento de HAS, porém sem significância estatística após ajuste para o Índice de Massa Corporal (IMC). 26 Chama a atenção que a média de idade dos indivíduos desta coorte foi em torno de 60 anos. As evidências do impacto da AOS sobre a HAS em pessoas idosas não são claras. De fato, outro estudo, da mesma coorte, mostrou que existia associação com a hipertensão sistólica ou diastólica somente em indivíduos com menos de 60 anos. 27 Por outro lado, os resultados do Sleep Disorders in Older Men Study revelaram chances 1,6 vez maior de HAS em homens idosos com AOS. 28 2.2.2. Apneia Obstrutiva do Sono e Doença Arterial Coronariana Evidências indicaram que a prevalência de AOS em pacientes com Doença Arterial Coronariana (DAC) é alta, variando entre 38 a 87%, dependendo do tipo de paciente com DAC estudado e o critério diagnóstico. 29-32 Na população de angina refratária, a frequência da AOS em casos consecutivos foi de 73%. 33 Foi observada que a presença e a gravidade da AOS estão independentemente associadas com a presença e a extensão de calcificação arterial coronariana, que é ummarcador subclínico de DAC. 34 Análises transversais dos dados do SHHS revelaram maiores chances de DAC em indivíduos com IAH elevado. 35 Ainda, análises longitudinais dos dados do SHHS, em um seguimento de 8,7 anos e após ajuste de múltiplos fatores de risco, indicam que a AOS é um preditor significativo para maior incidência de DAC, principalmente em homens com menos de 70 anos de idade. 36 2.2.3. Apneia Obstrutiva do Sono, Apneia Central e Insuficiência Cardíaca Em comparação com a população geral, a prevalência da AOS é geralmente mais elevada em populações com Insuficiência Cardíaca (IC). Por exemplo, a prevalência de AOS em pacientes com IC é de 12 a 26% considerando o corte do IAH ≥ 15 eventos/hora. 37,38 Também foi observada alta frequência de apneia central do sono (estimada entre 21 a 56% quando considera-se IAH ≥15 eventos/hora) nos pacientes com IC, tanto naqueles com quadro sintomático ou descompensado, 39,40 quanto naqueles com IC crônica estável. 41-43 A presença de apneia central nos pacientes com IC geralmente é descrita em associação com a RCS. 42 Não são muitas as evidências baseadas em estudos longitudinais, mas as análises do SHHS indicam que os homens, mas não as mulheres, têm Risco Relativo (RR) aumentado (1,13 [1,02-1,26]) de incidência de IC como consequência da AOS. 36 Em estudo clínico longitudinal, 295

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