ABC | Volume 111, Nº1, Julho 2018

Minieditorial Como Avaliar a Modulação Autonômica Cardíaca How to evaluate Cardiac autonomic Modulation Esteban W. Rivarola e Mauricio I. Scanavacca Instituto do Coração - Universidade de São Paulo, São Paulo, SP - Brasil Correspondência: Esteban W. Rivarola • Av. Enéas de Carvalho Aguiar, 44. CEP 05403-000, São Paulo, SP – Brasil E-mail: eteban@hotmail.com Palavras-chave Doenças do Sistema Nervoso Autônomo; Frequência Cardíaca; Diabetes Mellitus; Dinâmica Não Linear; Disautonomias Primárias; Neuropatias Diabéticas/prevenção. DOI: 10.5935/abc.20180127 A disfunção do sistema nervoso autônomo cardíaco tem sido implicada em vários cenários patológicos diferentes, com uma ampla gama de relevância e risco clínicos. A detecção precoce de alterações autonômicas, seja provocada por fins terapêuticos 1 ou como complicação de um transtorno primário, como o diabetes mellitus (DM), é essencial para o melhor manejo dos pacientes. A análise clássica (linear) da variabilidade da frequência cardíaca (VFC) tem sido utilizada rotineiramente para avaliar o comportamento autonômico em pacientes diabéticos, a fim de detectar prontamente a neuropatia, 2 uma das complicações mais comuns e negligenciadas e um fator significativo de risco cardiovascular. Enquanto a análise linear fornece dados importantes, índices não-lineares de VFC também foram propostos, emergindo como potenciais ferramentas auxiliares para investigar a disautonomia nos indivíduos com DM tipos 1 e 2. No artigo “Dinâmica Não Linear em Jovens com Diabetes Tipo 1, 3 os autores compararam índices lineares e não-lineares e estudaram sua correlação. Enquanto a análise simbólica apresentou correlação parcial com os métodos lineares, o índice de entropia de Shannon foi semelhante nos indivíduos com DM e controles, e esses achados levantam duas importantes questões: 1. Qual poderia ser o valor clínico de determinar a complexidade e a aleatoriedade da VFC por métodos não-lineares? 2. Eles são sensíveis e eficientes? Vários autores concordaram que os índices lineares (domínios de tempo e frequência) são métodos simples e reprodutíveis para avaliar o sistema autonômico cardíaco e estão reduzidos de forma consistente em pacientes diabéticos. 2-7 A falta de correlação observada de métodos não-lineares com medidas padrão pode implicar em baixa sensibilidade, e está em desacordo com Javorka et al., 4 que afirmam que “a complexidade da VFC parece ser ainda mais afetada (em pacientes com DM) do que a magnitude da VFC que é comumente avaliada por testes autonômicos cardíacos”. Por outro lado, uma correlação perfeita entre técnicas não-lineares e medidas padrão da VFC forneceria apenas informações diagnósticas adicionais limitadas. De fato, autores anteriores verificaram que os índices lineares da VFC se mostraram ainda melhores do que a maioria das medidas de complexidade na discriminação entre pacientes com DM e controles. 4 Portanto, qual é a nossa situação em relação ao diagnóstico não-invasivo de disautonomia? Que seja de nosso conhecimento, os índices dos domínio de tempo e frequência continuam sendo os métodos mais aceitos e utilizados para avaliar a VFC. Medidas não-lineares são ferramentas potenciais, mas para obter a melhor avaliação da VFC, os métodos devem ser padronizados: é possível encontrar estudos que utilizam índices de registro de dados de 24 horas, 8 de médio prazo (~ 1h), 4,7 de ultracurto prazo (5 min), 9 e de curto prazo (de 5 a 10 minutos) 2,5,6,10 , todos eles lidando com informações não-intercambiáveis. A contribuição dos métodos não-lineares para avaliar a disfunção do sistema autonômico diabético ainda precisa ser demonstrada por estudos de comparação de larga escala. Quando a avaliação da complexidade comprovar o seu valor, no entanto, uma última questão permanecerá: até que ponto isso ajudaria os pacientes a prevenir a progressão da neuropatia diabética? 102

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