ABC | Volume 110, Nº1, Janeiro 2018
Artigo Original González-Rivas et al Dislipidemias na Venezuela Arq Bras Cardiol. 2018; 110(1):30-35 sugerir que a proporção de casos de hipoalfalipoproteinemia poderia estar associada a fatores genéticos. Além disso, parte da prevalência de HDL-c baixo nesta população pode ser explicada por fatores metabólicos (isto é, resistência à insulina), uma condição que produz modificações emmais de uma sub-fração lipídica. De fato, a prevalência de dislipidemia aterogênica (25,9%) em nosso estudo foi significante e notavelmente similar à relatada por Florez et al. 7 na região de Zulia (24,1%). A disfunção isquêmica é o padrãomais frequente em indivíduos com síndrome metabólica e resistência à insulina, e ambas as anormalidades compõem a definição de síndrome metabólica. Além disso, os fatores genéticos ou metabólicos e as condições ambientais adversas também são relevantes na Venezuela. Os fatores que envolvem a transição nutricional promoveram padrões inadequados de alimentação e estilo de vida na Venezuela e em outros países latino-americanos, contribuindo claramente para a incidência de doenças não transmissíveis, especialmente as relacionadas a obesidade e diabetes. 19 Uma pesquisa de acompanhamento de consumo e compra de alimentos informou que a ingestão calórica e a seleção de alimentos com qualidade inferior aumentaram na Venezuela. 20 Um alto padrão de inatividade física (68%) também foi relatado em dois estudos envolvendo 3.422 adultos. 5 As estratégias alimentares para reduzir as dislipidemias e outros componentes da síndrome metabólica devem incluir restrição de energia e perda de peso, manipulação de macronutrientes dietéticos e adesão a padrões alimentares e de estilo de vida, como a dieta mediterrânea e dieta/exercício. 21 Após a avaliação do padrão alimentar e de atividade física da população venezuelana, fez-se uma proposta de adaptações culturais para a dieta mediterrânea com alimentos locais e recomendações de atividade física. 5,22 Também foram incluídas recomendações específicas para pacientes com dislipidemia nas diretrizes de prática clínica local. 23 Ademais, observam-se algumas limitações no presente estudo. A amostra não representou toda a população do país; apenas três das oito regiões da Venezuela foram incluídas. Além disso, no VEMSOLS, o padrão alimentar e a atividade física não foram investigados. O ponto de corte para HDL e triglicerídeos baixos foi estabelecido pela definição da síndrome metabólica, que pode limitar a comparação com outros estudos usando um nível inferior a 35 14 ou 40 18 mg/dL para definir hipoalfalipoproteinemia. No entanto, apesar dessas limitações, este estudo é o primeiro relatório de dislipidemias em mais de uma região da Venezuela. Uma pesquisa nacional está em curso no país, com conclusão prevista para 2017 (Estudo Venezuelano de Saúde Cardiometabólica, estudo EVESCAM). Conclusões Este é o primeiro estudo que apresenta a prevalência de dislipidemia em mais de uma região da Venezuela. Os resultados observados são consistentes com outros estudos latino-americanos, relatando HDL-c baixo como a alteração lipídica mais frequente na região. Além disso, observou‑se alto nível de hipercolesterolemia. Ambas as condições podem estar relacionadas a DCV, o que configura um grande problema de saúde pública na região. Uma sugestão resultante de nossos achados é monitorar um perfil lipídico completo durante exames médicos, pois em alguns países latino-americanos é comum verificar somente o colesterol total. Os fatores desencadeantes dessas mudanças devem ser determinados em estudos futuros. A implementação de estratégias focadas em nutrição adequada, mais atividade física e que evitem ganho de peso é fundamental. Contribuição dos autores Concepção e desenho da pesquisa e Obtenção de dados: González-RivasJP,Nieto-MartínezR,BrajkovichI,RísquezA;Análise e interpretação dos dados: González-Rivas JP, Nieto‑Martínez R, Ugel E; Análise estatística: González‑Rivas JP, Ugel E; Obtenção de financiamento: Nieto-Martínez R; Redação do manuscrito: González-Rivas JP, Nieto-Martínez R; Revisão crítica domanuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: González-Rivas JP, Nieto-Martínez R, Brajkovich I, Ugel E, Rísquez A. Potencial conflito de interesses Declaro não haver conflito de interesses pertinentes. Fontes de financiamento Opresente estudo não teve fontes de financiamento externas. Vinculação acadêmica Nãohá vinculaçãodesteestudoaprogramas depós-graduação. Aprovação Ética e consentimento informado Este artigo não contém estudos com humanos ou animais realizados por nenhum dos autores. 1. World Health Organization. (WHO). Global Health Observatory Data Repository country views. Venezuela (Bolivarian Republic of) statistics summary (2002 - present) [Internet]. [Accessed in 2015 Aug 6]. Available from: http://apps.who.int/gho/data/node.country.country- VEN?lang=en 2. Yusuf S, Hawken S, Ounpuu S, Dans T, Avezum A, Lanas F, et al. Effect of potentially modifiable risk factors associated with myocardial infarction in 52 countries (the INTERHEART study): case-control study. Lancet. 2004;364(9438):937-52. doi: 10.1016/S0140-6736(04)17018-9. 3. O’Donnell MJ, Xavier D, Liu L, Zhang H, Chin SL, Rao-Melacini P, et al; INTERSTROKE investigators. Risk factors for ischaemic and intracerebral haemorrhagic stroke in 22 countries (the INTERSTROKE study): a case-control study.Lancet.2010;376(9735):112-23.doi:10.1016/S0140-6736(10)60834-3. 4. Baigent C, Blackwell L, Emberson J, Holland LE, Reith C, Bhala N, et al; Cholesterol Treatment Trialists’ (CTT) Collaboration. 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